A FADIGA DOS METAIS. ALGUMAS COISAS QUE PRECISAM SER DITAS / PARTE I
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Penso que quem freqüenta o blog pode sim servir de testemunha. Fiz até onde pude a defesa do nosso homem do futebol. Sujeito decente, honesto, etc, Meira conquistou um Gauchão coisa que, necessário seja dito, muitos – inclusive candidatos – nem isto conseguiram. Sozinho, desde a saída de Krieger, Meira comandou o vestiário ao seu estilo. Flagrada a necessidade de mais um deslocou-se um Vice do CA para agregar. Virou e viraram o fio, e digo isto há uns 4 meses no mínimo. Fez o que pode e hoje o que ele pode é pouco, muito pouco, e já entra na área do prejuízo: o CA ficou com um a menos e o vestiário continuou, na real, com o único que tinha, comandando estilo ´my way`, e o clube, hoje, em risco evidente com o desarranjo dentro do campo.
Ainda é tempo, não se pode esperar até que ele não mais exista. Já vi este filme duas vezes e o final não foi bom.
O Grêmio já teve grandes homens no futebol, sabemos disto, uns mais ou menos exitosos, outros mais ou menos reconhecidos. Se o Presidente fica na expectativa de uma iniciativa deles, homens do vestiário, evitando uma ação mais contundente, e constrangedora – e o Duda tem este jeito Kroef de conduzir as coisas – é de se esperar que do alto do seu indiscutível gremismo, Meira vá até a sala Presidencial e diga: Presidente, fiz o que pude, não consigo fazer mais do que isto, e isto já não está mais resolvendo. Estou lhe deixando à vontade para encontrar alguém que altere a rota que pode nos levar …. Deus nos livre!
Quanto ao Silas, a situação é mais fácil. Duda disse em alto e bom som que descartou Autuori porque não ganhava fora de casa. Silas não está ganhando fora, nem dentro, nem jogos amistosos, muito menos oficiais: então me parece que o motivo agora é até bem mais relevante, e, cá pra nós, é barbada. Bate nas costas do Pastor, lhe deseja boa sorte e vida longa. Multa? Paga-se, aliás, é só olhar a tabela e ver que já estamos pagando uma pena alta demais para continuar com ele, qualquer cláusula penal já está barata. Em 2005 era muito mais difícil. Ídolo do clube, De Leon obstaculizava, pela sua história, fosse chamado de burro pelo torcedor. Estava, contudo, trancando o time que, lerdo e atrapalhado, não entrava nem saia, não corria nem parava … pingava mornamente em campo. No ponto exato, Pelaipe foi a Caxias contratar Mano. Quando surgiu seu nome ainda em segredo, indaguei ao Pelaipe: ele não é colorado? Pois vai ser o meu primeiro questionamento a ele, exclamou o dirigente. Pelaipe rumou a Caxias e habilidosamente desviou para mim, junto a imprensa, a indicação de quem iria tratar do assunto. Enquanto eu recebia dezenas de telefones ele sentava à mesa para negociar e a primeira indagação, me assegurou, foi esta. Superada esta quase questiúncula, Pelaipe veio de lá com um novo treinador.
Passo seguinte, a questão Mário Sérgio. Tínhamos que ter um homem político no futebol. Renato e Francisco Rocha Santos me procuraram: queriam que eu fosse com Pelaipe para lá. Não era a minha praia, e nem tinha condições profissionais para tal. Virei a rota, cheguei ao querido Chiquinho e lhe disse, por que não vai o Renato então? Fomos ao Renato que conversou com o Odone. Também não tinha tempo para dedicação integral, mas carregou consigo o Pelaipe que, silenciosamente, fez com Renato um trabalho até hoje admirado e admirável. Vencemos a Batalha dos Aflitos. Em 2006 com o Inter Campeão da Libertadores e do Mundo, Renato deixou o vestiário alegando razões pessoais e Pelaipe assumiu sozinho a bronca em meio a esta estupenda adversidade: os títulos deles. Não é ´bolinho` assumir o futebol do clube com o adversário nas nuvens, tem que ter peito, e o mínimo que podemos fazer hoje é reconhecer que Pelaipe, amado por muitos e nem tanto por outros, teve uma genitália gaúcha para assumir a empreitada. E neste caldeirão, o homem que acertou com Mano, hoje treinador da Seleção, chegou a um vice da Libertadores, sem contar com uma campanha incrível no Brasileirão que lhe abriu esta porta. É preciso que se diga isto, já que se diz, e dizemos, tantas coisas. E continuou no cargo até que virou o fio e lá, quando isto ocorreu, pegou o ´seu boné` e foi para outra.
Ei, seu Raul, tem um boné sobrando ? Meira, tal qual Pelaipe, seguiu sozinho na saída de Krieger, teve coragem para seguir, diga-se isto, mas mesmo com a baixa de um do CA, e mesmo fazendo o que podia fazer, esbarra, hoje, no seu limite. E no nosso. Chegou a hora de pegar o seu boné. Não tenho nada a dizer a não ser obrigado a ele por encarar esta missão, mas ela já chega ao fim, aliás, já tinha chegado há algum tempo. Não estou comparando nada nem um com o outro, apenas estou dizendo que chegou a sua vez, como chega a de todos, tanto de entrar como de sair…. Também estou querendo dizer é que o próximo homem do futebol, contando com este ímpeto Gremista que podia levar Meira à Sala do Presidente e dizer ’meus metais estão à beira da fadiga` – para não dizer mais – terá que ter culhão! Não que o Meira não tenha, mas…entrou em fadiga, virou o fio, acabou o ciclo. Hora de mudar.
E quem seria este homem? Certa vez aqui lancei o desafio para que houvesse sugestões de nomes. Poucos, 3 ou 4 foram indicados e alguns autênticas apostas. Poderia dar aqui alguns nomes com condições para isto, e poderia nomear no mínimo dois ou três do meu grupo mas não faria isto porque tenho que o blog não se presta para divulgação publicitária do grupo de ninguém com defesas e indicações do tipo. Penso eu, ao menos quando me atrevo a escrever um artigo que tem em mira o sacrifício pelo clube, não o oportunismo: e eu tenho um bilhão e meio de defeitos, mas este não.
CARLOS JOSIAS MENNA DE OLIVEIRA
