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D’Alessandro exercia uma liderança incontestável no Inter. Sua técnica exuberante tornava-o naturalmente o dono da bola. Não tinha medo de se expor pela camiseta e provocava influência decisiva nos companheiros. Sua saída deixou o time e órfão. Tanto que nos primeiros jogos a bola era recuada com insistência. Não havia a referência. D’Alessandro foi o motor da equipe por anos. Bastaram 14 partidas sem ele para isto ficar escancarado. Sem ele estamos diante de um Inter comum, claudicante, modestíssimo tecnicamente. Anderson não foi, não é e jamais será D’Alessandro. Seu perfil lânguido afonta a imagem do gringo sanguíneo, que não temia pagar mico comprando brigas (literalmente) que não podia comprar. Paulão é o avesso de D’Alessandro no quesito técnica. Nem de longe lembra um Gamarra, por exemplo. Sua maior característica cabe num jargão que define os zagueiros toscos, de pouca intimidade com a gorducha: bola prô mato que o jogo é de campeonato! A impetuosidade de Paulão, a forma como cumpre seu dever em campo, sua intensidade, apontam que a liderança está trocando de pés no Inter. Paulão não vai arrumar o time, longe disto. Mas pode torná-lo mais comprometido neste momento de transição.