Hiltor Mombach

A FERRO E FOGO

Disse e repitro: carrego carteirinha de bairrista. Tenho razões para tanto. Há dois grandes clubes neste Rio Grande Sul que quase despenca do mapa do Brasil. Os dois já foram campeões do mundo e, juntos, colecionam dez títulos nacionais e quatro Libertadores. O desavisado que desembarcasse hoje neste Estado situado no rodapé do país teria a certeza de que a frase feita querer é poder nasceu e vingou aqui. Sou bairrista e sofro da síndrome do coitadismo. Tive mais um surto de coitadismo na quarta-feira assistindo futebol pela televisão.

Para um time gaúcho vingar não basta ser bom, precisa ser muitíssimo melhor do que os do eixo Rio-São Paulo. Estou falando do jogo Inter x São Paulo, da penalidade sobre Fabrício escandalosamente sonegada pela arbitragem. Para quem acha que só o meu bairrismo viu tal penalidade, convoco aqui uma declaração neutra sobre o fato, a de Juca Kfuri: “E, no segundo derradeiro, Fabrício foi derrubado na área e o árbitro preferiu acabar o jogo…”

Sai década, entra década, e o filme só piora, como se pudesse ser possível piorar. Com o mineiro Ricardo Teixeira no comando da CBF fizeram gato e sapato do Inter em 2005, num dos acontecimentos mais ignominiosos do futebol mundial. O mineiro saiu e entrou um paulista, José Marin, ex-presidente da Federação Paulista de Futebol e ex-jogador do São Paulo. Havia um estranho no ninho no topo da hierarquia do futebol tupiniquim, Fábio Koff. Foi detonado por Teixeira, Plim-Plim e seus bonifrates.

Hoje quem dá as cartas é Marin e a Plim-Plim, que tem como apadrinhados Corinthians e Flamengo. Meu querido amigo Noveletto ensaiou uma rebelião, mas parece ser tido cooptado pelo corporativismo e pelas benesses de ser amigo de Marin. Não espero que Odone e Luiggi liderem qualquer manifesto contra a situação atual, afinal o dinheiro da TV está entrando a rodo.
Candidatíssimo ao título de campeão do Brasileiro deste ano, o Grêmio que fique atento aos bastidores, ponha as barbas de molho. Escrevesse um romance de como o futebol gaúcho foi forjado roubaria o título de Josué Guimaraes: A Ferro e Fogo. Para o Grêmio desfilar com a taça em dezembro só assim, a ferro e fogo.