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A mordida de Luiz Suárez no ombro de Chiellini é vampiresca e patética, um episódio digno de uma comédia pastelão. Choca pelo inusitado. Depois de mostrar os dentes cravados na carne, a prova provada do crime, o italiano seguiu vivíssimo em campo. Já o uruguaio desabou no gramado e levou a mão à boca, simulando ser a vítima, gesto que carece da análise de um psiquiatra, mas que eu me atrevo a avaliar: ao tapar a boca, um Suárez envergonhado calou o grito autopunitivo. Esbravejasse, diria: “outra vez, seu estúpido” ou “esta obsessão ainda vai acabar com a tua carreira”. Suárez padece de um trauma de infância ou de uma doença e seu lugar é o divã. Cometendo uma verdade exagerada, diria que Suárez agrediu Suárez. O mesmo não se pode dizer do lance envolvendo Marchisio e Arévalo Ríos aos 14 min finais. O italiano Marchisio levanta a perna, enfia a sola do pé na canela de Arévalo e, não satisfeito, pressiona, com a clara intenção de machucar o rival. Machucou, apenas, quando poderia ter quebrado a perna. Pela solada que poderia ter aleijado Arévalo, Marchisio levou o vermelho. Ficou nisto. Pela mordida, Suárez foi suspenso por nove partidas internacionais (pela seleção) e por quatro meses de qualquer atividade relacionada ao futebol. Esta foi a maior punição da história das Copas por um incidente ocorrido durante uma partida. A sanção começa a ser cumprida a partir do jogo entre Uruguai e Colômbia no sábado, pelas oitavas de final. Não questiono a pena, tão-somente acho um absurdo inominável o seu tamanho. Uma covardia. A Fifa surge poderosa quando o punido é um jogador do pequeno país vizinho. Com punição tão rigorosa, a funesta entidade tenta transparecer uma imagem que não possui, a de ser exemplar. Exemplo é, mas de vergonha. A mordida de Suárez vai doer para valer é na aguerrida seleção do Uruguai.