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Cometendo uma verdade exagerada diria que o mundo descobriu este Inter exportador de jogadores após a conquista do Mundial de 2006, a consagradora vitória sobre o sempre poderoso Barcelona. É verdade, antes havia arrecadado dinheiro com transações, e aqui cito a de Falcão, mas em valores muito abaixo dos atuais. De 2006 até 2011 o Inter conseguiu a façanha de revelar jogadores, comprar e revender bem e empilhar títulos internacionais. Os equívocos de contratações ficaram sepultados pelas taças colocadas no museu e pelo valor arrecadado com as negociações. De 2006 até o ano passado entraram no caixa colorado R$ 416 milhões brutos com a cessão definitiva de direitos econômicos, gerando um lucro líquido de R$ 200 milhões. Segundo dados do balanço de 2006, fábrica colorada cedeu neste ano os direitos de 10 jogadores. Em 2007, foram nove, quando se deu a maior arrecadação, R$ 95,4 milhões brutos, para R$ 48,9 milhões líquidos. E quando se deu a maior arrecadação líquida na venda de um único jogador, Alexandre Pato, R$ 39,8 milhões. Em 2008, foram negociados 12 atletas e, em 2009, sete. Em 2010, ano do bicampeonato da Libertadores, o Inter cedeu definitivamente os direitos econômicos de cinco jogadores; em 2011 foram oito e, no ano passado, cinco.
De 2006 até agora, os dois piores anos em receitas líquidas com a cessão de “passes” foram 2011 (R$ 17,7) milhões e 2012 (R$ 20 milhões), embora a receita bruta com a venda de Oscar tenha chegado aos R$ 61,5 milhões. Só a participação de direitos econômicos repassados de Oscar atingiu R$ 29,5 milhões. Não fosse a venda de Oscar e o Inter teria colocado no caixa apenas R$ 3 milhões. Nada para um clube que se mantém graças ao dinheiro das transações. A gestão Luigi, que entra no terceiro ano, parece ter extraído com Fred e Moledo todo o ouro das jazidas deixadas pelos presidentes Fernando Carvalho e Piffero, embora Leandro Damião ainda esteja no Beira-Rio. Está mais do que na hora de começar a formar a herança que deixará para seus sucessores. Otávio está aí, Caio tem futuro e o ex-goleiro Clemer, hoje transformando em ótimo treinador de jovens, e Osmar Loss, devem ter suas pedras preciosas para indicar, mas é preciso que Luigi relembre sempre que possível a Dunga que o caminho é mesclar, que mais vale um jovem promissor querendo jogo do que um medalhão pensando no dinheiro da sua aposentadoria.