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D’Alessandro provocou algum alvoroço esta semana ao cometer esta frase: “As críticas não são iguais para os dois lados aqui no Sul. Sempre sofremos mais pressão. Pode ser porque o Inter é o maior time do Sul ou mais importante, as criticas são sempre maiores para a gente. Vocês (imprensa) criam isso, pode ser porque a gente conquistou muitas coisas nos últimos anos. Nós temos um elenco bom. Não temos que jogar para responder as críticas.” Perguntaram a Bernard Shaw o que ele achava da multidão. Resposta: “Gosto ou desgosto de quem tem uma cara só”. Intimado a falar sobre o jovem, Nelson Rodrigues disse: “Nem conheço”. Realmente, não conheço “o jovem”, como não conheço “o artista”, como não conheço “o judeu”. Eu não conheço a imprensa. Conheço jornalistas. Antes de me limitar a escrever na primeira pessoa, digo que ouvi alguns ofendidos com a declaração. Vítimas da egolatria, se fazem de ofendidos com risível intenção de chamar a atenção. Não me vejo na declaração de D’Alessandro. Não tenho tal presunção. Mas, fosse dirigida a mim a crítica, faria uma confissão: amém! Atravessei uma década dividindo o espaço do Grêmio entre o futebol e as crises institucionais. Primeiro, a ISL e, agora, a questão da Arena. O Inter de hoje me lembra o Grêmio da década de 90. Um tropeço daquele Grêmio colecionador de títulos retumbava do Oiapoque ao Chuí; um fracasso do Inter era notícia doméstica, pois se tratava de mais um na imensa coleção. A transformação do Inter começa em 2006. Ao empilhar taças internacionais atraiu a atenção e, agora, leva chumbo grosso toda vez que não atende às expectativas. Minha intuição diz que times grandes como Inter e Grêmio crescem na crítica. Talvez D’Alessandro tenha razão. Talvez, na parte que cabe a mim, eu venha sendo condescendente com esta carência de conquistas do futebol do Grêmio.