Hiltor Mombach

A hipocrisia do futebol

"Se eu fosse jogador de futebol exigiria todas as garantias e seguro de vida para mim e meus familiares"

Olá, Hiltor:

    Se o grande Gabriel Garcia Márquez estivesse vivo quem sabe ele pudesse nos brindar com um título similar de uma de suas maiores obras:
"O futebol em tempos de Covid'9".
De minha parte eu não pretendo ser o Don Quixote, solitário, contra moinhos imaginários.
Pelo contrário, quero manter minha lucidez e minha sensatez.
Eu até posso entender a pressa das federações e dos clubes empenhados no retorno do futebol.
Tudo por causa do dinheiro.
A saúde parece ser o de menos.
Principalmente, porque botarão os atletas, que são jovens, correndo atrás da bola.
Nesse caso, pode haver aglomerações e contatos.
Pobres jogadores! Sendo jovens e dispostos a jogarem, irão se deixar iludir pelas raposas que os comandam.
Como se ajuntamentos de dois times e respectivas comissões técnicas não representassem problemas.
Para eles, o confinamento não é necessário.
Que se ralem!
Porque, com toda a certeza, ninguém irá se responsabilizar se houver desgraças.
A Europa já está encerrando seus campeonatos e só voltará com suas competições dentro de pelo menos um mês de treinamento.
Por aqui, querem apurar tudo, pisando no acelerador nas curvas mais perigosas - e, no caso específico, na curva do coronavírus que está longe de se achatar e rebaixar.
Nada sabemos do que pode acontecer, ainda mais nos frios invernais.
O futebol, no Brasil, está atingindo o auge de sua hipocrisia.
Não se pode pensar em jogos antes de agosto!
Tomara que eu esteja equivocado, mas é o bom senso quem recomenda.
Se eu fosse jogador de futebol exigiria todas as garantias e seguro de vida para mim e meus familiares.
Eu estou de consciência tranquila.

Abraços,

Chico Michielin

CREMERS 390.