Hiltor Mombach

A história de Roberto Negretto

Foi o primeiro jogador a receber algo em troca, para ceder seu futebol ao Flamengo.

Copio na íntegra e-mail que recebi não faz muito. Interessante e importante para a história em todos os sentidos.
“Meu nome é Jeanete Suzana Negretto Sacchet. Sou psicóloga e psicanalista. Trabalho em meu consultório e faço parte do Corpo Clínico da Fundação Universitária Mario Martins. Fui a primeira psicóloga da Instituição, onde sou professora e atendo grupos de psicoterapia. Há muito tempo quero lhe escrever sobre meu pai Roberto Negretto. 
Ele foi o primeiro jogador renumerado do Grêmio Esportivo Flamengo de Caxias do Sul, presidente da Associação Comercial da cidade, político fundador do PTB de Caxias e amigo de Getúlio Vargas, tendo ido, muitas vezes, visitá-lo em Itu.
Para que possa me entender vou transcrever a página 6 de 16 dos anais do Grêmio Esportivo Flamengo : "Estabelecer uma data limite entre o puro amadorismo e o período em que os jogadores começaram a receber para jogar no Flamengo, fica muito difícil. Mesmo na década de 50, muitos dos atletas, especialmente os caxienses, continuavam jogando sem ter nenhuma remuneração. 
O amor à camiseta prevalecia e os que eram pagos, na sua totalidade, eram atletas vindos de outras cidades. Não há registros sobre o primeiro jogador que possa ser considerado como profissional a partir, exclusivamente, da retribuição financeira pelo seu talento e capacidade dentro de campo. Italo Bertuzzi, integrante da primeira diretoria do clube, entretanto, revela aquele que foi o pioneiro no time.
O ano era 1936 e os dirigentes do Flamengo continuavam com o pensamento voltado para a formação de uma equipe que superasse o Juventude. Havia bons jogadores na cidade, mas a informação chegada até eles de que em Nova Prata tinha um atleta que se destacava, fez com que os olheiros se deslocassem até a vizinha cidade.
Realmente era um bom jogador e no mesmo dia foi feita uma proposta para que ele viesse integrar o plantel do Flamengo. Roberto Negretto aceitou. Em troca, ele poderia explorar a copa da sede do Rio Branco, que apesar da fusão, continuava sendo frequentada por torcedores. 
O dinheiro para seu sustento, portanto, vinha de seu próprio trabalho. Foi o primeiro jogador a receber algo em troca, para ceder seu futebol ao Flamengo. Era uma inovação para o clube. Os demais atletas permaneceram atuando da forma anterior. O que poderia ser hoje um contrato milionário, ou pelo menos pudesse dar certa estabilidade a um dos melhores jogadores da região, ficou apenas na exploração da copa."
Meu pai Roberto Negretto era considerado uma lenda. Prova disso são as fotos, que tenho, onde ele aparece como figura lendária. Em sua cidade natal, Veranópolis, ele era chamado de “o grande Negretto”. Com isso quero homenageá-lo e resgatar o nome dele como atleta e pessoa afetiva que ele foi.”
Fico aqui a imaginar como o fato foi tratado na época. Vou contar aqui uma história envolvendo um jogador de vôlei, Renan Dal Zotto.