Faço aqui dois relatos de reviravoltas em futebol que deveriam ter feito com que este colunista não fosse tão definitivo nas sentenças.
Faço isto diante das esperanças que se renovam. O Inter terá Abelão em 2026 e um treinador promissor, Paulo Pezzolano. Gostei muito da entrevista concedida por ele. Agora é acertar, ou errar menos, nos reforços.
O Grêmio vive uma situação financeira menos complicada depois que Marcelo Marques comprou a gestão da Arena. O estádio poderá render cerca de R$ 100 milhões/ano. Terá um treinador novo. Luís Castro, e dois nomes experientes tocando o futebol, Antônio Dutra e Paulo Pelaipe.
OS 100 ANOS
Em 2003, quando da extinção do mata-mata e da aprovação da fórmula de pontos corridos, sentenciei que não veríamos Inter e Grêmio festejar um título do Brasileiro pelos próximos 100 anos. Retiro de coluna anterior.
"De lá para cá os paulistas ficaram com dez canecos, os cariocas com cinco e os mineiros com quatro. Dos quatro estados que detém o poder do futebol nacional só o Rio Grande do Sul não conquistou o Brasileiro por pontos corridos. Deve haver uma explicação. Ou várias. No mínimo, deveríamos estar empatados com Minas Gerais, que, como aqui, possui dois times grandes, um deles na Segundona.
Não se trata de profecia à Nostradamus, de esoterismo, mas de previsão com dado. Aristóteles já preconizava: a igualdade consiste em tratar os iguais igualmente e os desiguais na medida de sua desigualdade. O Brasileiro é desigual." De 2003 torço para errar porém, infelizmente, a previsão segue valendo e não será desmentida em 2026 porque o Brasileiro já tem dois favoritos, Flamengo e Palmeiras.
SAINDO DO BURACO
Estava falando das reviravoltas que deveriam tornar os analistas de futebol mais cautelosos. Obviamente me incluo entre eles. Sob a presidência de Rafael Bandeira dos Santos o Grêmio conheceu seu primeiro rebaixamento para a Série B em 1991.
Em 1993, Fábio Koff foi eleito presidente. Até a linha telefônica do Olímpico estava cortada. Não havia dinheiro para pagar luz e água. Sua gestão (1993, 1994, 1995 e 1996) deu uma Libertadores, em 1995, além da Recopa e do Brasileiro de 1996, a Copa do Brasil de 1994 e os estaduais de 1993, 1995 e 1996.
INTERNACIONAL
Fernando Carvalho era o presidente do Inter em 2002 quando o time entrou na 25º rodada – a última do Brasileiro – na zona de rebaixamento, com 26 pontos (à época, o torneio contava com 26 times). Precisava de uma combinação de resultados para evitar a queda. Deu tudo certo.
Em 2006, com Fernando Carvalho ainda presidente, o Inter conheceu suas maiores glórias. Com Abel Braga como treinador e Fernandão como líder técnico, foi campeão da Libertadores e do Mundial.
Na carona da sua gestão vieram, em 2007, a conquista da Recopa. No ano seguinte, a taça da Copa Sul-Americana, com Tite. Em 2009, o Inter seria campeão da Copa Suruga Bank e, em 2010, veio o bi da Libertadores.
NÃO FOSSE A PANDEMIA...
Marcelo Medeiros assumiu o Inter em 2017 e tirou o time da Segunda Divisão. Ao lado de Alexandre Chaves Barcellos conseguiu a façanha de colocar a equipe numa final de Copa do Brasil, que perdeu para o Athetico, e encerrar um dos anos da sua gestão com um déficit de R$ 1 milhão.
Não fosse a pandemia e é possível que o clube não tivesse entrado no buraco financeiro. A pandemia trouxe com ela prejuízos de toda ordem, todos muitos bem justificados.
Gostei de ouvir Abel falar sobre as dificuldades que o novo treinador vai encontrar: “Ele vai se virar. E nós também. No fundo, depois você vai ver que são, sei lá, 30, 20 clubes fazendo a mesma coisa”. Verdade absoluta e incontestável.
