Hiltor Mombach

A lenda gaúcha do homem da mala preta

A malandragem era uma instituição brasileira quando se tratava de futebol.
Mas a malandragem caiu em desgraça, é politicamente incorreta neste mundo globalizado e falsamente civilizado.
Malandragem não casa com o tal de fair play.

Não sei se foi o dirigente brasileiro o inventor da mala preta.
Se não inventou, patenteou.
A mala preta deu origem à mala branca, genuinamente tupiniquim, criando o bullying das malas.
Uma compra para perder, a outra para ganhar. Ambas são malas e mala é mala.
Quem aceita mala, de qualquer cor, não joga no meu time.

O patético da nossa época é que mataram a mala.
E os malas.
Ninguém falou em mala para o Figueirense vencer ou empatar contra o São Paulo no sábado.
É o fim da picada.
Ou o fim da mala.
Peguei o tempo em que as malas já estariam garantidas.
A branca.
E a preta.
A opção era pela mala com mais $ub$tância.

Malandro mesmo era o personagem de uma lenda urbana gaúcha.
A lenda do homem da mala preta.
O malandro tomava o dinheiro de sábios dirigentes com a garantia de que era para pagar o goleiro engavetado.
Se o time dos sábio dirigente vencesse, o malandro engavetava a grana toda. Caso contrário, devolvia com a desculpa de que o goleiro dera para trás na última hora.