A mala branca
A mala branca, como o jogo do bicho, é uma instituição tupiniquim. Como muitas instituições tupiniquins, só dá certo assim, na clandestinidade. Se legalizar, perde a graça.
No Brasil, tudo acaba em sindicato e muitos sindicatos acabam-se em si mesmos. Ainda teremos o sindicato dos mala-brancas para defender o direito dos mala-brancas dependentes. Mala-branca dependente é o jogador com emprego fixo, mas que faz bico por outros times usando a camiseta do seu time. Há dirigente que acha isto bonito, pagar para um jogador e vê-lo, depois, se esbagaçando por outro.
No Brasil do futuro, o sonho será ser um mala-branca, com direito a dupla, tripla, quádrupla remuneração. Hoje, um bom mala-branca está sendo disputado a tapa por vários clubes. Como quase todo mala-branca que se preze está no rodapé da tabela, haverá uma disputa paralela para se chegar primeiro à zona do rebaixamento. Será a garantia de dinheiro no bolso perdendo, empatando ou ganhando, porque o mala-branca legítimo cobra adiantado e em espécie. Não confie em mala-branca que aceita cheque em promessa de pagamento.
A mala branca ainda vai render royalties ao Brasil. Não faz muito, a Polícia alemã desbaratou uma quadrilha que teria faturado milhões por apostar nos placares de jogos manipulados na Alemanha, na Bélgica, na Bósnia, na Croácia, na Eslovênia, na Hungria, na Suíça e na Turquia. Os detidos são suspeitos de pagar propinas a jogadores, árbitro, técnicos e outros personagens do mundo do futebol.
Vejam: é politicamente incorreto a pratica de mala preta e afins nos tempos modernos. O mundo mudou. Os europeus não conhecem a mala branca, a evolução da mala. Só nós temos a mala tipo exportação: não fede, não cheira e não provoca escândalo.
