Hiltor Mombach

A morte de Caçapava é a morte de uma época

O segundo maior elogio que ouvi sobre Caçapava foi de que Figueroa só havia sido Figueroa porque tinha Caçapava como leão de guarda.
A verdade verdadeira é que eles lubrificavam uma máquina chamada Inter em setores diferentes.
Não pode haver comparação entre gigantes.

O maior elogio é de que Caçapava passou despercebido no maior e melhor Inter de todos os tempos.
Olhasse para trás e ele via Manga, o mais extraordinário goleiro que este país já viu, Figueroa, Marinho Perez...
Olhasse para frente e lá estavam Falcão e Carpegiani, nomes que ainda provocam debates inflamados para saber quem era o melhor, como se fosse possível comparar craques.
Mais na frente estavam Valdomiro, Flávio, Lula...
Haviam mitos em campo e no banco.

Quem destoasse nesta máquina colossal chamaria a atenção.
Vejam: misturado a craques e foras de série, Caçapava passou despercebido, como um igual entre iguais.

Nelson Rodrigues abriu assim uma das suas crônicas: “O patético de nossa época é que o passado se insinua no presente, e repito: a toda hora e em toda parte, a vida injeta o passado no presente.”
A morte de Caçapava é a morte de uma época.