Hiltor Mombach

A morte de David Coimbra

David nos deixa numa sexta carrancuda, cinzenta. O dia também está de luto.

Diante do fim inevitável as palavras parecem perder o sentido.
Relutei em escrever sobre a morte de David Coimbra.
Mas como não escrever?
Conheci David no antigo Correio do Povo, jornalão de oito colunas.
Ele cobria política e eu esporte.
Muitas vezes depois do trabalho davamos um pulo no Barranco para alguns chopes e muita conversa.
Ele deixou o jornal e cogitei o seu retorno para trabalhar no esporte.
David foi para a Zero Hora.
Nossos encontros passaram a ser esporádicos, nas viagens.
Certa feita meu psiquiatra, José Facundo, deu para David um exemplar do meu livro "Quando o corpo grita - Síndrome do Pânico", que escrevi acompanhado por Facundo e outro brilhante psiquiatra, Gildo Katz.
David usou uma coluna inteira para registrar a sua solidariedade com o meu padecimento.
Logo depois, ele escreveria um livro relatando a sua luta contra o câncer.
Lembro quando eu fiquei sabendo da sua luta.
Era o final de tarde de um dia qualquer.
Vai tempo.
Telefonei para o David.
Como começar a conversa?
Na verdade, eu queria mesmo é dizer que sabia da doença e que ele poderia contar comigo.
É isso que fazem os amigos.
Luta que travou até esta sexta-feira.
Uma sexta carrancuda, cinzenta.
O dia também está de luto.