Nunca uma frase do genial Nelson Rodrigues surgiu tão atual: “O patético de nossa época é que o passado se insinua no presente e repito: a toda hora e em toda parte, a vida injeta o passado no presente”.
Neste novo normal tão anormal, o ano de 2019 surge como um passado jurássico, o tempo em que as arquibancadas gemiam, berravam, sussurravam e até o silêncio era ensurdecedor. Viveremos a época da mudez do consagrado 12º jogador, o torcedor.
Nada fascina mais do que a arquibancada de um estádio lotado. Há ali um estremecimento contagiante de alegria e tristeza, de amor infinito e ódio momentâneo. Ali se morre sem morrer.
Cometendo uma verdade exagerada diria que nem uma pelada num Ararigbóia que fosse deveria ser autorizada sem público. Porém o novo normal é carregado de anormalidades.
Inter e Grêmio, Grêmio e Inter, respiram torcida. Vivem do torcedor. Literalmente. São os quase 200 mil associados que estão sustentando as finanças dos dois clubes neste ano de pão de água.
Como reagirão os grandes times sem torcida nos estádios? Nos tópicos que seguem há uma estatística desta relação.
Os dados são do pesquisador cearense João Ricardo de Oliveira e estão no site “Verminosos por futebol”. As 10 maiores médias na lista histórica que vai de 1967 (do então Torneio Roberto Gomes Pedrosa) a 2019: Flamengo, Corinthians, Galo, Palmeiras, Cruzeiro, Bahia, Grêmio, São Paulo, Inter e Vasco. Todos levantaram taça.
Dos times grandes, agora apenas pelo Brasileiro por pontos corridos (2003 a 2019), as melhores médias estão com Corinthians (4 títulos), Flamengo (2), São Paulo (3), Palmeiras (2), Grêmio (0) e Cruzeiro (3). Em 16 anos, 14 taças ficaram com clubes com maiores públicos. Torcida não ganha jogo, mas que ajuda, ajuda. E como!.
