A proposta
O dia era 15 de janeiro de 2001. O Correio do Povo amanheceu com a seguinte manchete: "PSG já tem pronto o anúncio oficial. Clube francês divulga oficialmente nesta semana contratação de Ronaldinho. Grêmio apresentará proposta para renovação".
Era mais um capítulo de uma história que se desdobrava desde que Eric Lovey, representante do PSG no Brasil, decretava em entrevista exclusiva ao Correio do Povo que o Grêmio teria direito a receber R$ 7,7 milhões por Ronaldinho. No Grêmio, a tese era de que o PSG estava sequestrando Ronaldinho.
O clube estudava um recurso para impedir a saída de seu craque por valor tão irrisório quando especulava-se que o jogador poderia render 80 milhões de dólares. A direção analisava junto ao Clube dos 13 a possibilidade de solicitar ao então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, o adiamento da vigência da nova Lei do Passe.
Um mês depois das tratativas, sabedor de que perderia a batalha, o então presidente do Grêmio, José Alberto Guerreiro, o mesmo que em 1999 mandara colocar na frente do estádio Olímpico uma faixa com os dizeres "Não vendemos craques", decretou: "Ronaldo não joga mais no Grêmio". Guerreiro comparou a saída de Ronaldinho do Olímpico com a história de Assis, que deixou o clube ainda jovem para atuar na Europa. "Isso é hereditário. O Ronaldinho sempre disse que seria cedo uma transferência para o futebol europeu porque ainda não tinha maturidade e, de repente, aparece com um contrato com o PSG", declarou.
O Correio do Povo apresenta hoje com exclusividade a proposta de reajuste salarial encaminhada pelo Grêmio no dia 16 de fevereiro de 2001 para Ronaldo de Assis Moreira, uma última e desesperada tentativa de manter o jogador para revendê-lo por um preço que considerava justo para um dos maiores craques surgidos no Brasil nos últimos anos e que confirmaria a fama, depois, sendo considerado duas vezes o melhor jogador do mundo. O documento foi enviado para a Federação Gaúcha de Futebol. O contrato com o jogador havia vencido um dia antes.
A proposta salarial previa dois anos de contrato. Nos primeiros 12 meses, Ronaldinho receberia R$ 300 mil mensais. Isto há quase dez anos. Do 13 ao 14 mês, R$ 400 mil. Receberia ainda luvas de R$ 19,6 milhões, distribuídas em três parcelas. No total, o jogador receberia R$ 28 milhões por duas temporadas, salário mensal de cerca de R$ 1,2 milhão. Mesmo diante de valores tão expressivos, Ronaldinho manteve-se firme na sua convicção de deixar o estádio Olímpico.
