Hiltor Mombach

A psicologia de Roger

Há uma tese nova no mercado do futebol.
Como todos sabem, em futebol tudo é tese.
Temos as antigas e as novas.
A tese nova surgiu para explicar o sucesso de Roger como treinador do Grêmio.
Roger é jovem e o Grêmio o seu primeiro grande clube.
Como justificar que um estreante numa agremiação da grandeza do Grêmio tenha resultados imensamente melhores do que o seu antecessor, homem experiente, campeão do Mundo com a Seleção Brasileira, detentor de títulos e mais títulos?
A palavra chave para explicar o sucesso de Roger é psicologia.
Relato dois fatos para comparação, antes dizendo que vendo o peixe como comprei.
Quem me vendeu conhece bem o Grêmio.
Lembram daquele Gre-Nal em que Fellipe Bastos armou um contra-ataque do Inter que resultou no gol de Valdívia?
Ao ver o resultado do erro, o jogador coloca as mãos na cabeça, desesperado.
Logo depois, ele seria substituído.
O relato diz que o desespero se devia menos ao erro e mais ao pito que ele sabia que levaria depois de Felipão.
Fellipe Bastos tinha medo do treinador.
Como uma equipe pode render em campo se os seus jogadores temem o técnico?
Numa destas viagens, Mamute se atrasou, deixando toda a delegação preocupada.
Roger não disse nada.
No primeiro treino, reuniu todo o grupo e explicou para Mamute para o seu atraso representava um desrespeito para com seus colegas.
Mamute entendeu e pediu desculpas.
Com gestos assim, transparentes, seguros, e com serenidade, Roger conquistou o respeito dos seu comandados.
O Grêmio de Roger não tem medo de ousar em campo.
Quando erra, sacode a poeira e dá a volta por cima. Isto está evidente para todos.
Com jogadores confiantes o Grêmio cresceu em campo.
Luan é o maior exemplo disto.
O atacante tímido dos tempos de Felipão virou um atleta atrevido, arrojado.
Sem medo de errar.