Hiltor Mombach

A questão do racismo

A questão do racismo

Por Fábio Mundstock
Postado por Grêmio - Acima de tudo

Roberto Siegmann é uma homem Cortês, conheço-o pessoalmente e só tenho elogios a tecer a este cidadão. Mas dentro de campo, o dirigente colocado está perdendo a compostura e falando mais do que deve, misturando a função de dirigente com a de torcedor.

Se Siegmann voltasse no tempo e consultasse historiadores em Porto Alegre talvez mudasse sua opinião em relação ao racismo. E mais, se observasse as arquibancadas do seu próprio estádio perceberia rapidamente o erro que está cometendo.

O primeiro negro a vestir a camisa colorada, conforme história oficial do Clube foi o jogador Dirceu Alves em 1928.

Pois bem. Havia um time formando-se na cidade constituído por negros e pobres que tentou inscrever-se na Liga de futebol no início do século. Mas havia um Clube participante que negou a sua inscrição barrando-o da Liga: O Sport Club Internacional.
O Clube em questão chamava-se Rio-Grandense e passou então, a viver as voltas com a chamada “Liga das Canelas Pretas”, uma espécie de segunda divisão do Município, mas que na verdade era a “sobra” da sociedade que amontoava-se para jogar futebol, já que os nobres não permitiam.
Chamar o Grêmio de racista é alimentar o preconceito em relação do Clube tricolor.
O autor do hino gremista chama-se Lupicínio Rodrigues, um negro. E além disso, seu pai foi um dos Rio-Grandinos, rejeitados pelo Inter devido a cor da sua pele.
O próprio Lupicínio escreveu um texto chamado “Porque sou gremista” onde conta a história e o preconceito do clube Colorado contra os negros.
A única estrela existente na bandeira tricolor é uma homenagem a Everaldo Marques da Silva, também um negro. Jogador gaúcho, campeão do Mundo com a seleção brasileira e morto em um trágico acidente.

Antes de Dirceu Alves vestir a camisa colorada em 1928 o Grêmio teve uma dezena de negros vestindo a camisa tricolor. Vou citar aqui apenas dois: Neco e Adão Lima. O Grêmio teve um time de juvenis na década de 20 que parecia a seleção do Zimbabue, onde constavam mais da metade de jogadores negros.

O primeiro negro a vestir a camisa gremista o fez, mais de uma década antes do primeiro negro colorado vesti-la.

O fato de imputar a Tesourinha como o primeiro negro a vestir a camisa gremista é uma das primeiras ações de marketing que se tem conhecimento no futebol gaúcho. Tesourinha era famoso, foi o melhor jogador do Brasil antes da Copa de 50 e tinha sido ídolo no Inter, mas estava em fim de carreira no Vasco da Gama.
Por outro lado, o Grêmio precisava acabar com o preconceito imposto pela mídia e Tesourinha era o nome perfeito. Colorado e jogador de sucesso. Além do mais havia um novo marco: A inauguração de uma nova era com o novo estádio, chamado de Olímpico.
Era uma ocasião propícia para encerrar esta celeuma.

Portanto, é preciso responsabilidade para chamar o mais numeroso clube deste Estado de racista, pois certamente, tem um contingente de negros (na época atual – Afro-Descendentes) bem maior que o Internacional.

Por falar em memória. Não foi o próprio Inter que fez uma enquete no ano passado para eleger um Macaco e enterrar o velho Saci ?