A quinta mentira, o Inter e o futebol do momento
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A quinta mentira, o Inter e o futebol do momento

Passional, o torcedor não quer saber da saúde financeira do seu clube

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Vai algum tempo o advogado Rodrigo R. Monteiro de Castro, coautor do livro "Futebol, Mercado e Estado", escreveu uma crônica para o site Migalhas com o título de “Chernobyl e o futebol”. 
Na crônica, trata de um fenômeno que no Brasil, segundo ele, atinge nível epidêmico, a mentira. 
Trato aqui da quinta mentira
“Quinta: dinheiro, no futebol, não garante resultados. 
A ascensão de times antes inexpressivos – ou não tão relevantes historicamente –, como Manchester City e PSG, que, após o ingresso de vultosos recursos, passaram a figurar na lista dos 10 maiores do planeta em receitas e se tornaram os principais protagonistas de seus países e importantes competidores do futebol mundial, refuta a falácia. 
Em sentido contrário, times brasileiros tradicionais, como Vasco e Botafogo, atolados em dívidas, se apequenam a cada dia.”
Para a imensa maioria dos torcedores pouco importa a falta de recursos. 
Querem resultados. 
Melhor: títulos. 
O brasileiro gosta de títulos. 
A qualidade do futebol fica em segundo plano.
O Flamengo, atual bicho-papão do futebol brasileiro e sul-americano, gastou os tubos, cerca de R$ 180 milhões, para montar o timaço atual.
Comete meia verdade quem afirma que atingiu este patamar por ter quitado dívidas e ter boa saúde financeira, embora isto seja importante. 
A verdade se completa quando se lembra que acertou nas contratações, a dos jogadores e a do técnico.
O Cruzeiro não precisou de grana para ganhar três títulos do Brasileiro. 
Poderá pagará o preço do rebaixamento, vexame que não tem preço, pois fere o orgulho e fica marcado na história. 
Disto isto, salto para uma pergunta: qual o tamanho do Inter? 
Não o tamanho da instituição, longe disto, mas do seu futebol nesta temporada. 
Eu respondo: o Inter, o time, foi e segue muito maior do que o tamanho do investimento.
Como diria Perondi, esta é que é a verdade, esta é que é a realidade. 
Em janeiro, antes dos campeonatos começarem, o levantamento apontava que o Flamengo já havia investido R$ 108,7 milhões no futebol. Depois apareciam Palmeiras (R$ 87,5 milhões), São Paulo (R$ 47,2 milhões), Santos ( R$ 28 milhões), Cruzeiro (R$ 22 milhões), Atlético-MG (R$ 21 milhões), Corinthians (R$ 19,4 milhões)...
A lista seguia e nada de aparecer o Inter. 
Nem poderia. Chega ao final do ano com um gasto de R$ 4 milhões.
Não sei, nem importa, se o técnico Eduardo Coudet virá mesmo que o clube não conquiste vaga na Libertadores. Não sei, nem importa, se Guerrero ficará mais uma temporada. 
Não sei, nem importa, quem será o novo vice de futebol. Sei que o Inter será mais do mesmo se não conseguir parceiros para contratar jogadores de qualidade técnica indiscutível. 
Sei que Medeiros encerrará seu segundo e último mandato sem taça.
Passional, o torcedor não quer saber da saúde financeira do seu clube. 
Não sou contra a passionalidade, antes pelo contrário.
Ela move moinhos algumas vezes pois pressiona os dirigentes em busca de fórmulas para angariar recursos.