Hiltor Mombach

A raposa, as uvas e o Grêmio

Tenho ouvido de ilustres gremistas a seguinte tese: foi bom o time não ter obtido vaga para a Libertadores deste ano.
A tese é sustentada pelo argumento de que nos dois últimos anos Koff gastou o que podia e não podia para montar equipes caras, com folhas batendo nos R$ 8 milhões, para brigar pelo tri da Libertadores, não podendo implantar no Grêmio a pretendida e necessária austeridade econômica.
Outro argumento sustenta a tese: que diferença faz ficar mais um ano sem um título importante para um clube que vive um jejum de 14 anos?
Sem a Libertadores, Romildo Bolzan Jr. não se vê pressionado a manter os jogadores com salários altos, promoveu uma vassourada, seguirá dispensando, contratou quatro reforços e usará a base.
A Raposa e as Uvas é uma fábula atribuída a Esopo e que foi reescrita por Jean de La Fontaine.
É a história de uma raposa que tenta, sem sucesso, comer um cacho de uvas penduradas em uma vinha alta.
Não conseguindo, afasta-se, dizendo que as uvas estariam verdes.
A moral a fábula: é fácil desprezar aquilo que não se pode obter.
Deixemos a fábula de lado.
Na prática, o cavalo está passando encilhado para Romildo promover as tão aguardada mudança. Omar Selaimen, que já foi dirigente e que pode voltar se Preis for confirmado como vice de futebol, diz que o clube está com a faca e o queijo na mão para montar um grande time para o futuro.
O futuro, segundo ele, passa pelos garotos formados no Grêmio e por poucas contratações, todas pontuais.
Nesta semana, Romildo afirmou que “nossas perspectivas no futebol são as melhores possíveis. Tenho certeza de que vamos competir como muito mais condições de vitória do que competimos nos últimos anos”.
Se a previsão irá se confirmar, o decorrer da temporada dirá.
Um fato é certo: se ele não promover as mudanças nos seus dois anos de mandato, ninguém mais o fará.
É agora ou nunca.