Nunca uma frase do genial Nelson Rodrigues surgiu tão atual:
“O patético de nossa época é que o passado se insinua no presente e repito: a toda hora e em toda parte, a vida injeta o passado no presente”.
Sábado, conforme o Grêmio ia sendo operado sem anestesia, minha memória viajou no tempo.
Piá, portando um radinho Mitsubishi, sentia uma raiva absurda ouvindo Inter e Grêmio sendo garfados sem pudor diante de times paulistas.
Os narradores gaúchos vociferavam.
Em vão.
Com o advento do televisionamento sonhei com o fim dos assopradores despudorados, daquela crueldade requintada cometida contra os gaúchos, moradores de um Estado que despenca do mapa do Brasil.
Em 2005 fecharam o caixão do Inter em São Paulo diante de milhões de espantados espectadores.
Nada havia mudado.
Veio o VAR.
Agora vai, pensei!
Quanta ingenuidade.
O sistema não coopta quem não aceita suas regras.
No sábado, o Grêmio foi operado sem anestesia em tempos de VAR e tudo.
O radinho Mitsubishi foi trocado por uma TV gigantesca de tela plana.
A tecnologia mudou, evoluiu.
A arbitragem segue a mesma.
A tecnologia evoluiu. A arbitragem segue a mesma
Veio o VAR. Agora vai, pensei! Quanta ingenuidade.
