Termina o jogo e lá vou eu ler os jornais argentinos.
Todos esguicham uma dor lancinante.
Há mesmo um clima de traição dos tangos e lembro de Tomo Y Obligo:
“Não é que eu chore, não é que eu gema, eu sei que um homem não deve chorar.”
Veio da seleção a punhalada traiçoeira.
O sempre zombeteiro jornal Olé verte lágrimas:
“Catástrofe diante da Croácia”.
As manchetes arrancam o sentimento mais profundo de frustração:
“Caballeros de la angustia”, diz o mesmo Olé, promovendo um trocadilho que desgraça ainda mais e responsabiliza o goleiro Cabellero, autor de uma lambança digna de uma comédia pastelão.
O terceiro gol da Croácia, o da goleada, machuca e atinge a alma argentina, pois é anotado com requintes de crueldade.
Carregando a fama de guerreiros, os argentinos assistem a um piquenique croata dentro dos seus domínios:
“El papelón Mundial estaba coronado” dispara o Clarín. Coroado com um passeio do rival.
Quando caímos na Copa de 2006, los hermanos trataram nossa Seleção como a ‘MerdeAmarela’.
Assim a Argentina vai para a última rodada contra a Nigéria:
borradita!
