Volto a falar sobre a minha Garibaldi.
Lá, o termo pós-verdade tem tradução própria: cada um ouve aquilo que quer ouvir, acredita naquilo que quer acreditar.
A verdade dos fatos é colocada em segundo plano.
Até porque a verdade é algo subjetivo e cada um tem a sua.
O amigo não acredita na gravidade?
No livro “Sapiens: uma breve história da humanidade”, Yuval Noah Harari escreve:
"Caso uma pessoa que não acredita na gravidade pule do primeiro andar de um apartamento, vai sofrer uma queda e um grande impacto, tendo acreditado na existência da gravidade ou não."
Saio de Yuval Noah Harari e vou para uma citação de Nelson Rodrigues:
"Pode parecer uma verdade exagerada, violentada, mas eu diria o seguinte: no Brasil, a glória está mais no insulto do que no elogio.
Se não me entendem, paciência.
Mas ouçam uma boa e honrada conversa de brasileiros com brasileiros.
Reparem como nós cochichamos o ditirambo e berramos o ultraje.
Por coincidência, só ultrajamos os melhores."
Dias atrás escrevi sobre o minguadíssimo tempo dado ao ex-presidente Piffero para se defender e justificar os atos da sua gestão no Conselho Deliberativo do Inter, apenas 10min.
O contra-ataque veio a galope e de muitas formas.
Então eu não sabia o que ele fez?
Não conhecia o relatório da sindicância?
Piffero já está julgado e condenado por uma parte dos conselheiros que sequer leram o relatório.
Já estava julgado antes mesmo do relatório.
E absolvido pelos seus amigos que também desconhecem os escritos.
Cada um ouve aquilo que quer ouvir.
Justamente por ter lido o relatório é que conclui, equivocadamente, que o ex-presidente deveria ter 1h para falar.
Meu equívoco: deveria ter o tempo que fosse necessário para esmiuçar item por item, para responder pergunta por pergunta.
O desafetos de Piffero deveriam ter agradecido minha sugestão.
Impagável para estes vê-lo talvez constrangido num auditório transformado em coliseu romano, jogado às feras, durante horas, justificando aquilo que, no mínimo, parece evidente, sua omissão.
