O jornalismo manda ouvir todas as partes.
Telefonei para Pedro Affatato, vice-presidente de finanças na gestão de Vitorio Piffero.
Assunto: a explanação no Conselho Deliberativo do Inter, terça-feira, de parte do relatório contratado pelo clube e realizado pela Ernst & Young sobre as finanças do clube. Foram apontadas inúmeras irregularidades e instalada uma comissão para em 30 dias fornecer um parecer.
“Infelizmente faz parte da política.
É uma questão política. Estamos pagando o preço do futebol ter ido mal, do Inter ter sido rebaixado para a Série B. Algumas lideranças comandam este processo de colocar em xeque-mate. Tenho a mais obsoluta convicção de que nossa gestão atuou dentro da mais completa normalidade. Vazam coisas, distorcem, denigrem a imagem de pessoas distintas. Nenhuma gestão passou por tantas auditorias como a nossa. O Inter era auditado todos os dias.
Olha, estou desistindo do Inter.”
Pedro Affatato é um político influente no Beira-Rio e na última eleição, que elegeu Marcelo Madeiros, concorreu para presidente.
Perguntei para ele se é comum em clubes de futebol saques em dinheiro na boca do caixa.
“As diárias são pagas em dinheiro, por exemplo. Há outras tarefas pagas em dinheiro.
Um clube de futebol não funciona como uma entidade comercial. As pessoas vazam coisas e muitas vezes nem sabem o que estão dizendo.”
Affatato falou ainda sobre a inconsistência no valor de R$ 9 milhões em contratos que não teriam sido realizados com cinco empresas do ramo de construção civil e sobre se há obras no Beira-Rio que justifiquem este valor.
“Você está falando em R$ 9 milhões, não eu. Mas é bem possível que sim. Estamos falando em quatro anos de gestão. Um estádio como o nosso precisa de manutenção.
Tem ainda o Parque Gigante e outras áreas. Esquecem que teve uma tempestade que devastou Porto Alegre (2016) e que trouxe problemas para o Beira-Rio.”
No final, ele afirmou estar pronto para o caso de ser chamado para prestar esclarecimentos.
