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"Eu e o Fernando nascemos e nos apaixonamos em Goiás. Foi aqui que decidimos construir uma vida juntos e onde escolhemos criar nossos filhos, Enzo e Eloá. Nos últimos 13 anos vivemos intensamente o nosso amor. Meu marido era um homem movido a desafios e eu o seguia de olhos fechados. Quando Fernando me disse, em 2004, que queria voltar ao Brasil, eu não hesitei em arrumar a bagagem. Várias foram as propostas, mas ele escolheu o Sport Clube Internacional e Porto Alegre seria nossa nova casa. Foi amor à primeira vista e, acima de tudo, correspondido. A torcida colorada nos ganhou desde a chegada à cidade. O gol 1000 do Gre-Nal era um presságio que Fernando, um homem de certezas e convicções inabaláveis, estava mais uma vez certo. O resto da história todo mundo sabe. Fernando foi tudo no Inter: diretor, técnico, jogador e, sempre torcedor. Depois que saímos de Porto Alegre seguimos torcendo pelo Colorado e é por isso que, pouco mais de 48 horas depois da tragédia que abalou nossa família e o mundo do futebol, escrevo essas palavras de agradecimento. É impossível agradecer individualmente cada uma das mensagens que chegaram de diferentes formas até nossa família. Milhares delas vindas do Rio Grande do Sul. Obrigada aos colorados que nos acolheram desde o primeiro momento e obrigada também aos gremistas que deram demonstrações de respeito pela figura do adversário. Obrigada aos torcedores dos clubes do interior e de todo o Brasil que, de diferentes formas, homenagearam meu marido. A dor, que é imensa para mim, Enzo, Eloá e Thayná, é amenizada pelos afagos quentes que chegam do outono gaúcho. Tudo que Fernando veio fazer, ele fez. Ele foi embora com o dever cumprido. Como milhares de colorados cantaram para o Fernando "... Nunca te esquecerei...". Saibam também que ele, lá de cima, e nós aqui em casa nunca nos esqueceremos de vocês. "