Hiltor Mombach

Airton eterno

Dias atrás escrevi alguns tópicos sobre Airton Ferreira da Silva, o Pavilhão. E registrei no meu blog vários depoimentos sobre esta verdadeira lenda do futebol. Sinto que escrevi pouco ou quase nada e me obrigo a retomar ao assunto. Lembrando que Airton foi enterrado na quarta-feira.
Vou ficar com depoimentos do próprio Airton em entrevista de duas páginas concedida a Chico Guazelli e Gabriel Jacobsen do jornal Tabaré, em setembro. Airton parecia pressentir a morte, mas, mesmo assim, manteve o bom humor em muitas passagens.

Airton contou que "tomava uns negócios para dormir" e que começou a beber uísque nas viagens de avião. Morria de medo de avião e lamenta o fato: "Poderia ter conhecido o mundo inteiro e parei aqui". Questionado sobre que outro zagueiro ele via com admiração, respondeu: "No meu tempo tinha o Florindo, Pipoca, Domingos da Guia... Hoje em dia, tu põe (os zagueiros) no mano a mano (com os atacantes) e eles ficam loucos. Teve um que veio para o Grêmio, lá do Panamá, o Baloy, e teve um conselheiro que disse: "É o novo Airton". Aí me perguntaram o que ele tinha de parecido comigo. Eu disse: Sinceramente? Só o 3 da camisa".
Airton, ainda: "Teve um cara que veio me entrevistar e disse que na minha época não tinha craque. Eu disse que não, só tinha Puskas, Pelé... Pergunta boba, né? Não tinha craque...".