Hiltor Mombach

ALFORRIA

ALFORRIA

A esperança venceu o medo. O slogan que levou o então candidato Luis Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto, oito anos atrás, retrata de maneira fiel o atual momento do futebol brasileiro.

Testemunhamos nesta semana um grito de liberdade dos clubes. O não à truculência, às ameaças, ao jogo sujo. Um não ao poder imperial.

O Clube dos 13 nasceu pela segunda vez em 12 de abril de 2010. Não pela eleição de nossa chapa, circunstancial e menor diante da gigantesca importância da reafirmação dos ideais que fizeram nossa entidade ser criada: a luta inegociável da defesa intransigente dos clubes de futebol do Brasil, a independência em relação à CBF e a vitória do interesse coletivo sobre aspirações mesquinhas e individuais.

Passado o processo democrático, quero reafirmar que sou presidente dos 20 clubes integrantes do Clube dos 13. Não dos 12 me que deram a honra de defendê-los por mais três anos. Fiz questão de telefonar para todos os presidentes que apoiaram a outra chapa para dizer que nenhuma medida de retaliação seria tomada. Que todos os clubes, independentemente de sua visão política e momentânea na eleição, serão tratados de maneira equânime. Que o mais importante é que, de fato, o Clube dos 13 siga sendo a União dos Grandes Clubes Brasileiros.

O que presenciamos no curto período pós-eleitoral é repugnante. O primeiro alvo foi o São Paulo, ameaçado de ter seu estádio alijado da Copa do Mundo por sua opção política. Critérios técnicos nem sequer foram colocados em pauta. No dia seguinte, uma decisão que o senhor Ricardo Teixeira fez questão de não tomar durante 18 anos foi resolvida num passe de mágica. Um ato de vingança, de covardia, que cora de vergonha a todos os que lutam por um futebol limpo, resolvido apenas dentro das quatro linhas.

As atitudes ditatoriais da CBF, ao contrário do que se imagina, só nos fortalece. Nos une. E escancara a necessidade de estarmos juntos.

Nossa missão é complexa e árdua. A meta inicial é reformar e modernizar nossos estatutos. Tenho comigo que o primeiro passo para a formalização de nossa Carta de Alforria, a Liga Brasileiro de Futebol, é admitir no Clube dos 13 os 20 clubes que disputam as duas principais séries do Campeonato Nacional e não estão em nossa associação. Protegê-los contra as pressões. Valorizar o contrato da Série B, a única forma de fortalecer os times médios sem enfraquecer os grandes.

Outra disputa crucial será travada na negociação dos direitos de transmissão do triênio 2012-14. Não tenho dúvidas de que assinaremos o maior contrato da história do futebol brasileiro, por meio de um processo à prova de pressões, com regras tão rigorosas como as de um processo de licitação pública.

O medo ficou para trás. Unidos e independentes de vontades senhoriais, vencemos a primeira batalha. Renovaram-se as esperanças de um futuro melhor para nossa maior paixão.



Fábio André Koff, juiz aposentado, é presidente do Clube dos 13