Comete meia verdade quem afirma que este Grêmio que desbravou o exterior se divide em antes e depois de Fábio Koff.
A verdade inteira é que o futebol brasileiro se divide em antes e depois de Koff.
Não comete nenhum exagero quem diz que a gestão Romildo só é o que é por causa de Koff. Como não comete exagero quem diz que o Grêmio só atingiu o patamar atual por causa de Koff.
Ele era o presidente em 1983 quando o Grêmio foi campeão da Libertadores e do Mundial.
Com ele na presidência o Grêmio voltou a ser campeão da Libertadores em 1995, além de ter vencido a Copa do Brasil em 1994 e o Brasileiro em 1996.
Só um homem com o estofo de Koff para proclamar em 1993 que o clube estava quebrado, sem dinheiro para pagar água e luz, e que sem a ajuda do torcedor não deixaria o atoleiro.
Na sua última passagem, entre 2013 e 2015, proferiu a frase a "a Arena não é nossa", batendo de frente com a OAS, denunciando um contrato que só servia os interesses de uma parte.
Só um homem com o estofo de Koff para comprar uma briga destas. Resultado: reduziu de R$ 42 milhões/ano para R$ 15 milhões/ano num primeiro momento e para R$ 18 milhões/ano depois os encargos por conta da migração dos sócios do Olímpico para a Arena. Um contrato que renderia R$ 820 milhões em 20 anos para a construtora passou a render cerca de R$ 300 milhões, uma economia de mais de meio bilhão de reais.
No último encontro que tive com Koff, no seu apartamento, ele acompanhado pela esposa, dona Ivone, e pelo filho Fabinho, e eu pelo editor Carlos Corrêa e pelo fotógrafo Ricardo Giusti, Koff reiterou que a Arena continuava não sendo do Grêmio.
Koff indicou e ajudou a eleger Romildo presidente, que pegou um Grêmio sem os R$ 42 milhões para pagar anualmente.
Koff presidiu o Clube dos 13 de 1996 até o fim da entidade, em 2011. Foram seis mandatos, 15 anos. Quando assumiu a presidência a verba da TV era de R$ 10 milhões. Hoje quase bate nos R$ 2 bilhões. Koff foi fundamental para alavancar o futebol brasileiro. Caiu por um golpe tramado nos porões da CBF e penduricalhos.
Em depoimento a Paulo Flávio Ledur e ao seu filho, o jornalista Paulo Silvestre Ledur, num livro de mais de 240 páginas, Koff revelou: "O Ricardo Teixeira nunca se convencera por eu não pagar qualquer percentual para a CBF. Pois ele passou a pedir 15% do contrato. Eu dizia: pede por escrito. Ele nunca pediu, e eu nunca paguei. "
Antes, num depoimento para o jornalista Juca Kfouri, disse: "Convivi pouco com o Ricardo ([Teixeira, presidente da CBF), ele lá, eu cá, mas não posso negar que ele é tão poderoso como abjeto. Fui traído muitas vezes ao longo desses anos, embaixo do pano, na calada da noite. O Marcelo (Campos Pinto, principal executivo da Globo Esportes)e a CBF implodiram a FBA (empresa que geria a Série B) e fizeram um contrato de adesão da Série B.
Os clubes fecharam por R$ 30 milhões até 2016, quando poderemos chegar a R$ 1 bilhão por ano. Isso é inaceitável, os clubes menores vão morrer. Vão matar o futebol."
Koff derrotou Kléber Leite, candidato da CBF para alcançar o seu sexto mandato no Clube dos 13. Kléber Leite, um ex-presidente do Flamengo e sócio da Klefer Marketing Esportivo, detinha um contrato de R$ 128 milhões com a CBF em torno da exploração da Copa do Brasil entre 2015 e 2022. Queria mais. Queria parte do bolo do Clube dos 13. Hoje ele está envolvido em escândalos.
