Carlos Corrêa / Interino
A cobertura de todos os fatos envolvendo a patética partida entre Bahia e Vitória, no domingo, me fez lembrar que apontar o dedo é um dos nossos esportes prediletos, ainda que muitas vezes falte alguém para nos lembrar que o telhado é de vidro. Há uma série de aspectos em toda a confusão vista no Barradão no final de semana. Alguns deles são óbvios, como o fato de que a violência é injustificável. Nada justifica sair dando socos em outro jogador, muito menos uma comemoração. O que nos leva à outra questão: se a forma de comemorar um gol é ofensiva ou não. A regra prevê advertência para os casos em que o atleta comemora com gestos ofensivos à torcida adversária. Mas aí caímos no terreno sobre o que é ofensivo ou não. Isolada, a dancinha do atacante do Bahia, em frente à torcida do Vitória, soa como ofensiva. No entanto, o jogador comemorou assim várias vezes antes, diante dos seus próprios torcedores. E aí, como fica? Quando Messi para em frente à torcida do Real Madrid e mostra a camisa com seu nome, é ofensivo ou não? Quando Sasha dança uma valsa, em referência à falta de títulos do Grêmio, é ofensivo ou não? Mais importante do que sair dizendo “sim” ou “não” para qualquer um dos casos, é debater a questão sem preconceitos para se chegar a algum lugar.
Quanto à decisão do Vitória em forçar pelo menos uma das expulsões e assim terminar a partida, bem, não é novidade no futebol brasileiro. Aqui na aldeia, por exemplo, temos dois exemplos. Um “bem sucedido” e outro não. Mas ambos mirando o mesmo final: sair de campo antes e depois discutir nos tribunais. O primeiro foi em um jogo entre Inter e Santos, em 1992. Válida pelo Campeonato Brasileiro, a partida aconteceu na Vila Belmiro e o Santos vencia por 1 a 0 com um gol polêmico de Paulinho McLaren, quando o árbitro José Roberto Wright expulsou três atletas colorados (Gérson, Marquinhos e Fernández). Foi para o segundo tempo e a desvantagem numérica fez a diferença. Quando então estava 4 a 0 para o Santos, começaram as lesões, para lá de contestáveis. Dois jogadores do Inter “precisaram” deixar o campo. E como não há jogo com apenas sete em campo de um lado, a partida foi encerrada.
No caso do Grêmio, a coisa toda não se concretizou. Em parte porque, até onde se sabe, não havia unanimidade sobre a decisão. E em parte porque o outro lado agiu mais rápido. Foi na famosa Batalha dos Aflitos. Quando o árbitro Djalma Beltrami marcou pênalti a favor do Náutico, começou a confusão que todo mundo lembra até hoje, na qual foram expulsos Patrício, Domingos, Escalona e Nunes. Como faltava pouco tempo, o jogo estava 0 a 0 e o pênalti era para o Náutico, começou a ganhar força entre os dirigentes a opção de tirar o time de campo e levar tudo para os tribunais. Não demorou para que a conversa chegasse ao campo e, consequentemente, aos dirigentes do Náutico. Não por acaso, os funcionários do clube pernambucano não tiveram nenhuma vergonha em simplesmente trancar por fora as portas do vestiário do Grêmio. Assim, não tinha como os gaúchos deixarem o campo. Sem alternativas, o Tricolor ficou em campo. Galatto defendeu a cobrança, Anderson fez o gol e tudo entrou para a história.
