Carlos Corrêa / Interino
Antes de mais nada, um pedido: encarem o relato a seguir menos como uma crítica e mais como uma autocrítica. Estou desde o início da semana preparando uma matéria para a edição do próximo domingo sobre futebol feminino e a perspectiva de que finalmente decole no Brasil em virtude das mudanças promovidas pela Conmebol e CBF. Já havia entrevistado o pessoal do Grêmio, que montou o seu time para a disputa da Série A a partir de março. Então, ontem pela manhã fui ao Beira-Rio para o lançamento do projeto de time de futebol feminino do Inter. Como já estou nessa labuta há mais de 15 anos, já é possível ter uma ideia sobre o quanto um assunto rende e, consequentemente, qual será o interesse da imprensa em geral nele. Ainda assim, fiquei genuinamente surpreso ao perceber que além de mim havia apenas um outro repórter. Um. Por um bom tempo, só conseguia pensar no paradoxo que é, a cada Olimpíada, ouvir os coros de lamentação sobre a falta de incentivo a algumas modalidades, como o futebol feminino, mas em contrapartida, na hora de dar mais espaço para elas, não aparecer quase ninguém. Meio que bateu uma vergonha. Mesmo sabendo que há inúmeros fatores na hora de definir o espaço de cada modalidade na edição, não há como não se colocar no lugar de quem tanto batalha e fica feliz com qualquer mínimo espaço que é aberto. Vale para o futebol feminino. Vale para a ginástica. Vale para o judô. Para a natação. Para o remo, a esgrima e todos outros mais. Vale para os clubes do Interior. Enfim, espero que tenha valido também para que nós aqui possamos rever alguns valores e equilibrar de uma maneira melhor esta balança tão desequilibrada.
