Hiltor Mombach

Apresentamos o Brasil de Neymar e o outro Brasil

Este Neymar nababo é a negação do Brasil, o anti-Brasil. O Brasil escancarado é aquele que passa o pires torcendo para pingar uma moeda, que vai ao açougue comprar osso e que precisa de empréstimo bancário para comer picanha.

Este Neymar nababo é a negação do Brasil, o anti-Brasil. O Brasil escancarado é aquele que passa o pires torcendo para pingar uma moeda, que vai ao açougue comprar osso e que precisa de empréstimo bancário para comer picanha.
Cometendo uma verdade não tão exagerada diria que o Brasil mima e ama o antibrasileiro. Diga-se no sentido figurado, do brasileiro que, feito Tio Patinhas, nada em piscina de dinheiro, enquanto a miséria viceja pelo país.
Lendo Alicia Klein no UOL percebi, sem estarrecimento algum, que vivemos em dois Brasis:
"Uma seleção de comentários que ouvi ontem, em tom de admiração: Neymar chegou quinze minutos antes do início do treino (de helicóptero), Neymar comeu o mesmo que os companheiros no CT, Neymar abraçou as tias da cozinha, Neymar treinou igual aos reservas, Neymar resenhou com os colegas, Neymar andou de van, Neymar não se atrasa.
Que homem. O jogador mais bem pago da história do clube, quem diria, cumprindo com as suas obrigações."
Brilhante! Simplesmente brilhante! Queria ter sido o autor deste texto.
Alguém perguntará onde está o verdadeiro brasileiro deste Brasil desigual por natureza. É facílimo encontrá-lo. Agora mesmo um genuíno brasileiro está numa manchete do site do Correio do Povo: “Penso na minha esposa e filhos".
Diz a reportagem de Felipe Faleiro:
"Em Nova Santa Rita, na Região Metropolitana, o ajudante de pedreiro William Soares dos Santos ajudava a construir três casas em um terreno no bairro Berto Círio ao lado de dois colegas.
Era seu primeiro dia de trabalho, e ele contou que havia esquecido seu chapéu de palha, enquanto seus dois colegas não. “Faço isso pensando na minha esposa e meus filhos”, comentou ele, que é natural de Porto Alegre.
O trabalho havia recém começado para todos, e, mesmo no turno da manhã, o cansaço já era visível. Água foi trazida depois para os funcionários, aliviando um pouco a sensação tórrida."
É provável que William tenha enfrentado dois ônibus, levado uma marmita, abraçado o sonho de terminar o mês com os carnês em dia e abraçado a esperança de não faltar alimento na mesa.

Este Neymar nababo é a negação do Brasil, o anti-Brasil. O Brasil escancarado é aquele que passa o pires torcendo para pingar uma moeda, que vai ao açougue comprar osso e que precisa de empréstimo bancário para comer picanha.
Cometendo uma verdade não tão exagerada diria que o Brasil mima e ama o antibrasileiro. Diga-se no sentido figurado, do brasileiro que, feito Tio Patinhas, nada em piscina de dinheiro, enquanto a miséria viceja pelo país.
Lendo Alicia Klein no UOL percebi, sem estarrecimento algum, que vivemos em dois Brasis:
"Uma seleção de comentários que ouvi ontem, em tom de admiração: Neymar chegou quinze minutos antes do início do treino (de helicóptero), Neymar comeu o mesmo que os companheiros no CT, Neymar abraçou as tias da cozinha, Neymar treinou igual aos reservas, Neymar resenhou com os colegas, Neymar andou de van, Neymar não se atrasa.
Que homem. O jogador mais bem pago da história do clube, quem diria, cumprindo com as suas obrigações."Brilhante! Simplesmente brilhante! Queria ter sido o autor deste texto.
Alguém perguntará onde está o verdadeiro brasileiro deste Brasil desigual por natureza. É facílimo encontrá-lo. Agora mesmo um genuíno brasileiro está numa manchete do site do Correio do Povo: “Penso na minha esposa e filhos".
Diz a reportagem de Felipe Faleiro:
"Em Nova Santa Rita, na Região Metropolitana, o ajudante de pedreiro William Soares dos Santos ajudava a construir três casas em um terreno no bairro Berto Círio ao lado de dois colegas.
Era seu primeiro dia de trabalho, e ele contou que havia esquecido seu chapéu de palha, enquanto seus dois colegas não. “Faço isso pensando na minha esposa e meus filhos”, comentou ele, que é natural de Porto Alegre.
O trabalho havia recém começado para todos, e, mesmo no turno da manhã, o cansaço já era visível. Água foi trazida depois para os funcionários, aliviando um pouco a sensação tórrida."
É provável que William tenha enfrentado dois ônibus, levado uma marmita, abraçado o sonho de terminar o mês com os carnês em dia e a esperança de não faltar alimento na mesa.

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