Hiltor Mombach

Aqui, o Brasil que passa o pires tem vez

A democrática Copa do Brasil vem dando um banho de emoção no chatíssimo Brasileiro.

Meus leitores sabem que sou favorável ao sistema mata-mata e sei que estou na contramão da maioria.
A maioria tem a convicção absoluta de que o Brasileiro por pontos corridos é o mais justo.
Como se a disparidade na distribuição das cotas de TV já não estabelecesse cinco oceanos de desigualdade.
O Brasileiro se transformou no campeonato mais sonolento do planeta não por ocupar intermináveis 38 rodadas, mas porque só a   elite da elite dos clubes pode sonhar com o caneco.
Vejam a Copa do Brasil. Só na primeira fase são 80 times.
Aqui sim o país está representado por todos, do Caucaia do Ceará ao Trem do Amapá.
Aqui, o Brasil futebolístico que passa o pires se mistura  com os nababos.
Aqui, o time que pede esmola tem a oportunidade de viver seu dia de David.
Cada confronto é uma epopeia, uma final de Copa do Mundo.
Há motivo para tanto: joga-se pelo prato de comida.
Para a imensa maioria dos clubes, o dinheiro das primeiras fases é suficiente para garantir o minguado salário dos jogadores até o final do ano.
A democrática Copa do Brasil vem dando um banho de emoção no chatíssimo Brasileiro.
É hoje o melhor torneio do mundo.