Em maio de 2015, preocupado com a Arena, Fábio Koff, mesmo hospitalizado, recém-saído da UTI, elaborou uma correspondência dirigida a André Berg, um consultor financeiro que ajudou muito o clube na qeustão do estádios e dos aditivos. Pediu que a carta fosse entregue por seu filho, Fábio Koff. A carta.
“Caro André:
Peço-te o especial favor de, no momento oportuno, na próxima semana, quando o Comitê de bancos Credores da Arena estiver reunido com os nossos negociadores, ler a carta anexa à presente. Muito obrigado pelo teu esforço e dedicação.
Ao Comitê de bancos Credores da Arena Porto-Alegrense nesta Capital.
Prezados Senhores:
Impossibilitado de participar das reuniões em andamento, por motivo de força maior, manifesto minha visão e entendimento do assunto.
Inicialmente, registro a legitimidade dos pleitos por parte das instituições que vocês representam na defesa dos interesses de acionistas, depositantes e da própria harmonia econômico-financeira que acima de tudo deve prevalecer, pelo respeito aos contratos, com seus direitos e obrigações.
Nesse particular, entendo que o Grêmio deve honrar o contratado em outubro de 2014, quando se concluíram as negociações que me motivaram a declarar que “a Arena era de propriedade do Grêmio e de nossos filhos e netos”, já que antes eu afirmara que “a Arena não era do Grêmio”. Voltando ao tema principal: “obrigações devem ser respeitadas”, quero dizer que direitos também.
Nesse particular, no meu entendimento – os contratos espelham essa realidade –, meu clube, a quem devo muito, não recebe o que comprou. Estão ausentes todas as obras externas nos acessos e principalmente falta a essência comercial futura, o estacionamento.
Milhares de torcedores com seus carros em lugares de difícil acesso, escuros, perigosos, enlameados, etc., etc...
Não se trata apenas do valor econômico. Implica, também, a parte estratégica, já que sua inexistência inviabiliza a venda de cadeiras tipo gold e camarotes.
A falta dessas receitas inviabiliza o próprio equipamento. Já é uma tarefa hercúlea ter foco no futebol, atividade historicamente deficitária.
Agregar um fardo adicional, pela limitação que a ausência do parking vai causar no atendimento de um tipo de consumidor que exige esse serviço, vai gerar grandes perdas financeiras e patrimoniais.
No exercício da presidência na gestão anterior e vice na atual, responsável por esta negociação, somos fiéis depositários da esperança de milhões de torcedores, e honrar essa responsabilidade é nossa obrigação.
Para esses efeitos, quero expor uma alternativa que pode atender de forma ética e equilibrada os interesses de todos, porque, de fato, neste momento, o Grêmio é o único apto a cumprir o acordado.
Proponho a mesma estratégia usada anteriormente: os credores receberem os valores acordados em outubro de 2014.
Nesse caso, os bancos aqui presentes criem uma conta vinculada e retenham 20% dos valores que o Grêmio depositará mensalmente. Estes serão aplicados no mercado financeiro para não perderem valor e serão disponibilizados apenas e somente para a recomposição do estacionamento e das obras prioritárias externas pendentes, que os senhores podem decidir em conjunto, sobre forma, lugar, quem, como, por que, quando, etc., etc. Sei que todos estão contabilizando perdas. Nós também, como:
– receber obra inferior à contratada;
– assumir um negócio deficitário;
– ter que viabilizar o clube e seus financiadores, que projetaram uma Arena cheia e plena, contribuindo para reforçar nossos orçamentos, e se deparar com a realidade dura de colher outra fonte de pressão de caixa;
– ter que praticamente abdicar da nossa missão que é ganhar títulos e substituir por outra: “honrar compromissos”.
Sou muito ligado a pensamentos consagrados. Existe um dito popular na América do norte: No parking, no business. Nada mais adequado. Espero que vocês entendam esta posição e que encontrem a solução, que não necessariamente deva ser a sugerida, mas que tenha no seu escopo esta linha de pensamento. Êxito e sucesso a todos, são meus votos.
Fábio André Koff”
Arena: a carta de Koff aos bancos credores
"Somos fiéis depositários da esperança de milhões de torcedores, e honrar essa responsabilidade é nossa obrigação"
