Hiltor Mombach

Arena: decepção total

Prezado Hiltor



Os jogos da inauguração e pela pobreza, pela atipicidade, não revelaram ao torcedor gremista a realidade da Arena,  como aconteceu na partida contra a LDU.
Tempo gasto para chegar na Arena e retornar para casa: cinco horas  meia (das 20:30 às 02:00 horas). Estacionamento: caótico. No Olímpico o associado tinha um box permanente, de uso exclusivo. Agora o direito é de ingresso em uma área, na qual você precisa encontrar uma vaga para colocar o seu carro. Mas o pior estava por vir. Aconteceu quando chegamos nas nossas famosas cadeiras Gold, situadas, supostamente, no melhor lugar possível: bem no meio, bem na frente. A fantasia era de que nada nos dificultaria visualizar e  vibrar com os lances da partida, cara a cara com os nossos atletas. Nada disso! O sonho foi por água abaixo. Diante  de nossos olhos, nos isolando totalmente do jogo, haviam colocado, sem nos informar,  um vidro duplo, ainda  com restos de cola. A reclamação dos torcedores que estavam em nossa volta foi geral. Como se isso não bastasse, em uma das nossas cadeiras, a de número 11 (Bloco B207, Fila A) a visão é apenas central, pois em sua frente, como mostra a foto,  foram colocados dois batentes largos de ferro ou alumínio que fixam um vidro duplo de 30 a 40 centímetros de largura. Através desta pequena janela não  é mais possível torcer, mas assistir e, ainda no caso, precariamente. Koff está certo quando diz que a Arena não é do Grêmio. Mais certo estaria se acrescentasse que muito menos  é do torcedor gremista. A Arena não tem cor, bandeira ou  donos – os associados – como tinha o Olímpico. A tua camiseta tricolor de tantas batalhas não tem mais valor e  a tua história ligada ao clube virou página em branco. O gremista não vai mais torcer, vai assistir ao Grêmio jogar. Ele não é mais um associado, honra e orgulho do clube, mas um adquirente de uma cadeira em algum lugar desta imensa e "magnífica" casa de espetáculos de nome “Arena Porto-Alegrense SA”.  Afora isso, quem pensou na Arena, não pensou no bolso do torcedor gremista, senão vejamos: 

OLÍMPICO

Anuidade de duas cadeiras muito bem localizadas = R$ 2.028.00

Anuidade de uma vaga de estacionamento privativo= R$ 950.00 (50%)

TOTAL: R$ 2.978.00

ARENA

Anuidade de duas cadeiras Gol supostamente bem localizadas = R$ 8.640.00

Anuidade de uma vaga de estacionamento não privativo = R$ 900.00 (50%)

TOTAL  R$ 9.540.00

A Arena é um negócio, portanto, marcado peça frieza e pela impessoalidade, como se observa no relato a seguir. Colegas de profissão e companheiros de jogos do Grêmio por mais de quarenta anos, como no Olímpico, adquirimos na Arena, cada um, duas cadeiras Gold situadas uma ao lado da outra. Informados de que quatro cadeiras Gold dava direito a uma vaga grátis  no estacionamento, fomos até a Arena para saber se poderíamos colocar as quatro cadeiras em um só nome para obter o direito a gratuidade no estacionamento. Disseram-nos que a troca não era permitida e que, para ter o direito a um vaga grátis no estacionamento um dos dois teria que comprar mais duas cadeiras Gold. O Grêmio corre o risco de se tornar um clube de futebol sem o estádio e sem a torcida que tanto o  engrandeceram e o abrilhantaram. Como poderíamos representar a torcida para que possa ser colocada junto com a miniatura do Olímpico na sala de troféus do clube a fim de que as futuras gerações saibam do seu passado glorioso?  "A Arena é muito bonita, mas não tem vida.  Assistir a um jogo todo o mundo sentadinho, com um vidro na frente, eu estou fora”, disse-me um vizinho, gremista  de quatro costados, que vai deixar de ser associado e passar a assistir aos jogos em casa pela TV, comendo um churrasquinho e  vibrando com um grupo de amigos para  manter a lembrança do Olímpico.

Atenciosamente,
Gley Costa e Gildo Katz

Médicos  da Fundaçäo Mario Martins