POR EVANDRO KREBS*
A Arena Grêmio!
Quem já teve a oportunidade de conhecer estádios de futebol por este mundo afora não tem dúvidas em afirmar que a Arena do Grêmio é um dos equipamentos mais modernos e confortáveis em operação.
Seu projeto e construção seguiram técnicas e processos de excelência, com o conceito focado para obtenção da certificação de um estádio Padrão FIFA, atendendo todos os requisitos constantes nas Normas da Fédération Internationale de Football Association.
Apesar de ter sido inaugurada em dezembro/2012, sua disponibilização pela construtora para a realização da Vistoria Final de entrega da obra se deu em abril/2013.
Tive a honra de ter sido convidado pelo então presidente Fábio Koff para integrar pelo Grêmio a coordenação de todo o processo de inspeção pericial para recebimento do estádio.
A vistoria final de aceitação da obra da Arena, prevista na escritura de superfície, iniciada em abril/2013 e concluída em setembro/2013, executada com a participação de equipe de arquitetos e engenheiros consultores, foi dividida em três etapas:
• 1ª Etapa – inspeção de 1218 áreas internas com uso de planilhas de check list identificando as não conformidades de acabamento e/ou execução dos projetos e memoriais descritivos;
• 2ª Etapa – inspeção das instalações gerais, fundações, estrutura de concreto, cobertura, sistema de proteção contra incêndio e operação;
• 3ª Etapa – inspeção para cumprimento do caderno de encargos da FIFA.
O relatório final apontou a necessidade de trabalhos complementares para a resolução de pendências e não conformidades técnicas, em que pese o entendimento geral de que a Arena do Grêmio já atendia o conceito de Estádio adequado a receber eventos FIFA.
Um dos capítulos deste documento destacava importante preocupação com a necessidade de um Plano Permanente de Manutenção do equipamento, fundamental para a garantia da sua qualidade e segurança.
A execução das pendências foi concluída tão somente em outubro/2014, sendo algumas delas negociadas em aditivo contratual com a Construtora OAS e o estabelecimento de medidas compensatórias e indenizatórias, como foi o caso, por exemplo, envolvendo as 1.356 cadeiras faltantes.
Importante ressaltar que as obras relacionadas ao entorno do estádio, discutidas com a comunidade e priorizadas pela população nas audiências públicas, previstas no EVU (Estudo de Viabilidade Urbanística) da Arena, excluíram o Grêmio da responsabilidade pela execução. Todas as demandas aprovadas ficaram à cargo da construtora OAS, município de Porto Alegre, Estado do RS e União.
Em janeiro de 2015, convidado pelo presidente Romildo Bolzan, passei a integrar o Conselho da Arena Porto-Alegrense, responsável pela gestão do estádio, como representante indicado pelo Grêmio, onde permaneci por dois anos.
Nossa maior preocupação sempre esteve relacionada à manutenção do estádio, com especial atenção ao campo de jogo.
As características do projeto da Arena e sua moderna arquitetura, iniciada no Brasil com a Arena da Baixada e, posteriormente, com o Engenhão e demais Arenas construídas para a Copa de 2014, onde a cobertura ampliada proporciona maior conforto e beleza, oferecem dificuldades técnicas importantes na conservação do gramado.
Dependendo da época do ano existem partes do gramado da Arena do Grêmio extremamente prejudicadas no quesito insolação e a contemplação da fotossíntese.
Há sombreamento excessivo, sobretudo nos meses de inverno, principalmente na área norte do campo (60% da sombra), deixando o gramado com menor potencial de enraizamento, bem como
menor taxa de crescimento, em função da falta de luz natural.
O estudo de sombreamento feito em laboratório na Inglaterra indicou a necessidade de compra de equipamentos de iluminação suplementar, que foram adquiridos ainda em 2013 pela gestora Arena Porto-Alegrense.
O sistema é o mesmo usado no Estádio de Wembley, porém com um numero inferior de máquinas.
Este tratamento, por sua vez, requer alto investimento para a compra de equipamentos importados, além de pesados custos na sua execução.
Daí a necessidade de implementação de um rigoroso e continuado plano de manejo da grama, além da fertilização especial, overseeding (processo que ajuda a proteger a grama original durante o inverno, onde o semeio de nova grama serve de “cobertura” contra severas condições climáticas) e drenagem a vácuo.
Importante relembrar que o gramado da Arena do Grêmio, alvo de críticas à época da sua inauguração e mais recentemente, em especial, após ter sido palco de alguns jogos da Copa América de 2019, já atingiu elevado nível de satisfação ao longo de mais de seis anos de utilização.
O enfrentamento definitivo desta dificuldade exigirá um profundo estudo de viabilidade econômica envolvendo a necessidade de ampliação do número de máquinas de iluminação artificial e seus custos elevados de manutenção ou uma mudança de impacto com a substituição do gramado natural por um modelo sintético.
Esta tomada de decisão sobre o gramado está sobre a mesa e deverá ser pauta prioritária de discussão entre Grêmio e Arena Porto-Alegrense, assim como o Plano de Manutenção Permanente do Estádio.
Hora de convergir interesses, definir prioridades de ações e investimentos indispensáveis para que a Arena do Grêmio continue sendo este palco absolutamente diferenciado no mundo da bola.
*Conselheiro do Grêmio com participação em várias gestões do clube.
