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Com a construção de novas Arenas e reforma de estádios, o Brasil imaginou estar alçado também ao primeiro mundo das finanças. Mas obviamente o dinheiro no bolso do brasileiro continuou o mesmo, curto, ou ainda mais curto com o dólar subindo um dia e no outro também. Só agora, com o andar da carruagem, percebem-se equívocos aqui e ali. Ainda não mudou o perfil do torcedor acostumado a frequentar estádios de futebol e isto pode demorar a acontecer. Ou nem acontecer.
Alguns sócios gremistas que migraram para a Arena optando pela cadeira Gold já se queixam da facada mensal: R$ 360,00. Pai e filho precisariam gastar R$ 8.640,00 por duas cadeiras por ano. Adicione-se custo de transporte, lanche, estacionamento...
Há uma briga feia entre Fluminense e Flamengo e o Consórcio Maracanã S.A que parou no site oficial do clube com sérias cobranças. O Flamengo mandou alguns jogos em Brasília, mas, na última quarta-feira, contou com uma promoção onde o sócio poderia pagar R$ 40,00 em locais que antes custariam mais de R$ 100,00. Resultado: 53 mil rubro-negros empurram o time para a vitória de 1 a 0.
No caso da Arena do Grêmio, importante dirigente gremista garante que deverá haver uma revisão anual nos valores cobrados: “O estudo para estabelecer o preço médio na Arena foi feito há muito tempo por empresas de consultoria e mostrou ser fantasioso. Quando da inauguração do estádio, muita coisa já havia mudado no país. É necessário que OAS e Grêmio façam anualmente uma conta de chegada e optem se é melhor manter o ingresso caro e afastar o público ou atrair o torcedor com preços viáveis. Por exemplo: cobrando R$ 100,00 por bilhete você terá uma arrecadação de R$ 1 milhão com 10 mil pessoas no estádio. O mesmo milhão pode ser obtido com ingresso a R$ 50,00 e 20 mil torcedores. O que é melhor? Mais torcida. Tanto OAS como o Grêmio ganham nesta operação, pois o lucro líquido é dividido (65% para o clube e 35% para a OAS) via Arena Porto-Alegrense.
O Inter tenta aprender algumas lições. Para isto, encomendou uma pesquisa junto aos sócios para saber da sua disponibilidade financeira. O resultado foi espantoso. A conclusão foi de que apenas entre 3 e 6 mil sócios estão aptos a desembolsar R$ 200,00 por mês por uma cadeira numerada. O clube conta com quase 101 mil associados. Este estudo consta de um dos projetos de setorização do novo Beira-Rio e contraria parte da direção colorada que pretendia instalar 8 mil numeradas.
A pesquisa apontou ainda que se o valor fosse aumentado para R$ 300,00 por mês, o universo de torcedor aptos a pagar desabaria ainda mais. E que não é possível se cobrar mais de R$ 90,00 por mês dos sócios que hoje possuem a carteira vermelha.
Enfim, o Brasil está aprendendo a conviver com seus novos estádios. A maior lição até aqui é que só com ingressos a preços razoáveis para a grande massa de torcedores será possível aumentar a ocupação média dos mesmos, hoje em ridículos 34%, um número que não condiz com o ditado de que somos o país do futebol.