Por Carlos Corrêa / Interino
Já eram quase três da manhã de quinta-feira, quando a Rádio Guaíba encerrou a cobertura da derrota do Grêmio para o Toluca, na estreia da Libertadores. Como saímos da redação do jornal quase 2h30min, ouvi com calma as entrevistas de jogadores, comissão técnica e dirigentes do Tricolor. Em especial me chamaram atenção, por motivos opostos, as falas de Romildo Bolzan e de Roger. O presidente, apesar do inesperado tropeço na estreia na competição, adotou um discurso correto. Ressaltou a necessidade de não se fazer terra arrasada em cima de uma má atuação, analisou o time como um todo, elogiou os méritos do adversário e não se furtou de admitir que o Grêmio não fez uma boa partida. Já Roger parece ter ido por uma linha diferente. Fez, em grande parte, as mesmas observações de Romildo, mas talvez tenha sido sincero demais, mesmo sem citar nomes. E nem sempre, sinceridade demais é um bom caminho no futebol. “Temos que fazer a leitura de como os gols acontecem. Se o gol foi um descuido dentro da área ou na origem do lance”, disse. Pouco antes, havia falado que “depois de um primeiro tempo que resistimos à pressão, entramos no jogo e criamos chance de abrir o placar”. Nem é preciso usar muito a lógica para perceber que, mesmo sem dar os nomes, está falando do lateral Wallace Oliveira e do atacante Everton. Não está escrito em lugar nenhum, mas há uma espécie de código subentendido entre os jogadores de futebol em que se aceita que o bicho pegue dentro do vestiário, desde que tudo fique por lá. Não se nomina os erros, sob pena de perder o comando do grupo. Roger é técnico e foi jogador. É inteligente e sabe disso melhor do que ninguém. Não acho que por uma entrevista vá perder o comando. No entanto, a derrota na estreia vai inevitavelmente aumentar a pressão pelos lados da Arena, inclusive sobre Roger. Espera-se que o treinador reaja da melhor forma possível. De preferência, sem personalizações.
