Hiltor Mombach

"Aspectos contábeis que envolvem os complexos Beira-rio e Arena"

Estava entre os comentários. Vale a publicação aqui.


Hiltor,  boa noite!


Tenho um assunto que entendo ser de imensa importância ao futuro de Internacional e Grêmio, e que não está recebendo a devida atenção. Entendo ser você a pessoa indicada para levantar e encaminhar este assunto.


Trata-se dos aspectos contábeis que envolvem os complexos Beira-rio e Arena.


Pelo que li, e se estiver errado me informe, a Andrade Gutierrez explorará as novas benfeitorias que serão realizadas no complexo Beira-rio. Entretanto, os bens em si (terreno onde está localizado o estádio, o parque gigante, o gigantinho e demais construções, além das novas obras que serão construídas) são e continuarão sendo propriedade do S. C. Internacional, pois estas novas obras serão benfeitorias em imóveis de terceiros, no jargão contábil, ou seja, benfeitorias que a AG fará em propriedade do S.C. Internacional.


Caberá então ao Internacional realizar uma reavaliação patrimonial dos seus ativos, em seu Balanço Patrimonial, contabilizando os novos investimentos no Ativo Permanente e no Patrimônio Líquido. Este fato contábil elevará substancialmente os valores contábeis do clube, alçando o Internacional a um dos maiores clubes do mundo, acima de clubes como Inter e Milan, da Itália, por exemplo, clubes muito ricos, porém sem estádios próprios, que dependem do estádio municipal de Milão para jogar. Tais clubes possuem um valor patrimonial pequeno, sem considerar suas marcas e torcidas, é claro, que valem muito, mas são classificadas como ativos intangíveis, com maior dificuldade de mensuração. Esta é a questão do lado do Internacional: quanto valerá o complexo Beira-rio depois que todas estas obras ficarem prontas, num enorme terreno, junto ao Rio Guaíba, num dos locais mais nobres de Porto Alegre?


No caso do Grêmio, a área do estádio Olímpico, pelo que li (novamente me informe se estiver errado), será entregue à OAS. Entendo então que esta área será excluída do Balanço Patrimonial do Grêmio, fazendo com que o Grêmio tenha uma brutal redução em seu patrimônio. O GFBPA ganhará um centro de treinamento, que será incorporado ao seu patrimônio, porém com um valor de mercado muito inferior à área do Olímpico. Como a Arena não será do Grêmio pelo menos durante os próximos 20 anos, essa situação contábil tende a se prolongar, deixando o Grêmio sem bens de grande valor em seu ativo permanente.


Possuir bens de grande valor é indispensável para grandes instituições e empresas, uma vez que tornam robusta a situação patrimonial da pessoa jurídica e servem de lastro e garantia em negócios, financiamentos e em questões judiciais (penhoras, execuções, ações trabalhistas, dentre outras).


Gostaria que o assunto fosse aprofundado, com a seriedade necessária, por isso estou escrevendo a você, unicamente, pois sei que esta questão estará em boas mãos.


Abraço,


Isaldo Martini da Silva
Administrador e Auditor.
Porto Alegre RS.