Hiltor Mombach

AVENTURA EM ESTRADA RUIM. COM BUSANI KKOMO

AVENTURA EM ESTRADA RUIM. COM BUSANI KKOMO

Deixamos Johanesburgo pontualmente às 19h locais (14h de Brasília) rumo a Porth Elisabeth, onde jogarão Brasil e Holanda pelas quartas-de-finais da Copa do Mundo. São 1.060 quilômetros a percorrer. Nosso motorista até então, Khabo Molefi, 56 anos, passou a empreitada para seu sobrinho, Busani Nkomo, 15 anos mais jovem. Acreditávamos que a estrada estaria ótima, assim como a que nos levou a Durban, embora os acidentes que vimos durante a viagem, culpa da imprudência dos motoristas, que pisavam fundo no acelerador com uma cerração baixíssima.
Os primeiros 300 quilômetros foram percorridos rapidamente, com Nkomo podendo acelerar até 140 quilômetros por hora. A sinalização era ótima, assim como a pavimentação. Três pistas para ir, três para voltar.
Dos 300 quilômetros quase até o final da viagem, que no total consumiu 14 horas, o que vimos não é digno de um governo que prometeu entregar todas as obras antes da abertura da Copa. Paramos seis vezes. Motivo: pista única. Enquanto uma mão ia, a outra tinha que esperar para voltar. E vice-versa. De um lado da única pista, estreita, cascalho; do outro, valas onde imagino que um dia será construída a outra pista. Estrada em péssima condição, em muitos trechos sem sinalização. Apenas um cartaz, sustentado por um pedaço de pau fincado entre sacos de areia, indicava um dos pontos onde começava uma via só. Outro motorista poderia seguir. Busani parou e só neste momento um trabalhador saiu não sei de onde para avisar que ele tinha que parar porque, durante 10min, a preferência era dos carros, caminhões e jamantas que vinham em sentido contrário.
Decidimos por viajar desta forma, com a caminhonete de Nkomo, com 14 lugares, depois de tentar, em vão, viajar de avião, todos lotados. Alguns voôs extras abriram depois, mas Kkomo já havia sido contratado.
Não conheço o tal de caderno de encargos da Fifa. Se tal caderno exigia estradas em condições para jornalistas e turistas, não foi cumprido. Mais: já estou achando este caderno uma piada. Vamos ao Beira-Rio, por exemplo. Para cumprir todas as exigências de reforma do estádio o Inter teria que gastar quase R$ 200 milhões. Porém, com R$ 40 milhões, é possível atender as exigências minímas. Seu eu aplicar isto às estradas, seria mais ou menos assim: se um quinto estiver em condições, ótimo; nos demais 80% o turista, ou o torcedor africano que tiver que se deslocar, que se vire. O padrão Fifa é oito ou oitenta.