Hiltor Mombach

Bananosa!

O médico Márcio Bolzoni concedeu entrevista sobre Sorondo, que vai passar pela sexta cirurgia e parar por seis meses. Apertado pela reportagem, que queria saber como um jogador com tal histórico foi aprovado, declarou: “Quem assina se um jogador está apto ou não é o departamento médico do Grêmio. E responde por isto juridicamente.” Os exames clínicos apontavam recuperação do zagueiro, que já trabalhava com bola no Inter. Que bananosa para Bolzoni e para os seus pares!
Viajo no tempo para contar uma história. Em novembro de 2004, o departamento médico do Grêmio revelou ter encontrado uma variação em exames cardíacos realizados pelo volante Émerson. Serginho recém havia morrido em campo. Em abril de 2005, o jogador foi dispensado, com seu advogado, Décio Nehaus, fazendo a seguinte frase: ‘Não há nenhum laudo dizendo que ele não pode mais jogar futebol’. Nehaus impetrou ação contra o clube, com vitória em primeira instância. Valor: quase R$ 15 milhões. Só o recurso custaria R$ 280 mil. Acertou-se a volta de Émerson ao Grêmio.
Nem os vários argumentos favoráveis ao ilustre médico me afastam do espanto de estar escrevendo a Crônica de uma Recaída Anunciada, em alusão ao livro de Gabriel García Márquez. Sim, porque este era o sentimento de todos, de que a torcida pela recuperação de Sorondo iria terminar em frustração. Outra vez.