Hiltor Mombach

Banrisul, Caixa e o futebol

O tucano Eduardo Leite declarou seu apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições 2018.
Bolsonaro virou presidente e lascou: "Tomamos conhecimento de que a Caixa gastou cerca de R$ 2,5 bilhões em publicidade e patrocínio neste último ano. Um absurdo". Sem querer, querendo, Bolsonaro sugeriu por tabela o fim da aplicação de R$ 153 milhões no patrocínio de times e de competições como as copas do Nordeste, Verde e campeonatos paraibano, potiguar, sergipano, rondoniense e sul-mato-grossense.
Se Bolsonaro sugeriu, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, foi claríssimo: “Às vezes, é possível fazer coisas 100 vezes melhores com menos recursos do que gastar com publicidade em times de futebol.” Disse isto na posse do novo presidente da Caixa Econômica Federal como quem envia um recado direto, sem rodeios.
Levantamento da Caixa aponta para um gasto total de R$ 663,6 milhões desde 2012 com patrocínios para clubes de futebol. Não é pouca grana. Sem contrapartida. Quem mais perderá dinheiro se a parceria terminar será o Flamengo. O clube carioca recebeu, em valores absolutos, R$ 32 milhões, cerca de 5% da sua receita no ano.
Em agosto de 2015 a dupla Gre-Nal renovou o patrocínio máster com o Banrisul por mais quatro anos. No total, foram garantidos R$ 103,880 milhões, exatamente R$ 12,985 milhões anuais para cada um dos dois clubes. O contrato termina no segundo semestre de 2019.
OUTRA PARCERIA
Além disto Grêmio e Inter fecharam parceria o Banrisul Vero. A marca ficará nas mangas da camiseta da dupla Gre-Nal até dezembro de 2021 e pertence ao Banrisul. Cada clube receberá R$ 3,8 milhões/ano.
Se Eduardo Leite, governor dos gaúchos, adotar a política do governo federal, Inter e Grêmio certamente encontrarão resistência na renovação. Embora até os quero-queros de Pelotas saibam da força política que os dois maiores clubes do Estado possuem.
Estivesse o Rio Grande do Sul nadando em dinheiro e ficaria fácil justificar o patrocínio de quase R$ 13 milhões para Grêmio e Inter, verba que significa menos de 4% daquilo que cada um dos clubes arrecada anualmente. No entanto, o Estado vive situação de pedinte.
Em 30 de outubro de 2018 o Correio do Povo informava aos seus leitores o que segue:
“A Secretaria Estadual da Fazenda só divulga nesta quarta-feira como vai pagar a folha de outubro aos servidores vinculados ao Poder Executivo. Com isso, a expectativa é de que a primeira faixa só seja depositada durante o dia. Será a 35ª vez em que o governo estadual não consegue pagar os servidores em dia.
Em setembro, a Fazenda quitou a folha com 25 dias de atraso, apenas na semana passada. Foi o mês com o calendário mais extenso desde que os parcelamentos de salário começaram, em 2015. O maior atraso, até então, havia ocorrido em agosto de 2015, quando os salários foram quitados no dia 22 do mês seguinte.”
QUANDO COMEÇOU
Internacional e Grêmio receberam um empréstimo de Cr$ 40 mil da Caixa Estadual em 1991, época em que a Caixa pretendia explorar a imagem da Dupla numa raspadinha. A raspadinha não saiu, a dívida rolou de uma gestão para outra e, 1999, batia nos R$ 3,6 milhões.
Sem dinheiro para pagar, a dupla Gre-Nal pediu penico e não levou. Viu negada a proposta de realizar um clássico Gre-Nal para arrecadar roupas para os carentes em troca da dívida.
O Banrisul cobrou a conta em troca de patrocínio nas camisetas. Quando terminou de cobrar a conta, seguiu com o patrocínio, que começou rendendo R$ 300 mil mensais para cada clube.
Saltou para menos de R$ 3 milhões, depois para cerca de R$ 7 milhões e, hoje, está em quase R$ 13 milhões.
Banrisul e a dupla Gre-Nal trataram da renovação do contrato pela última vez em 2015, quando do governo de Ivo Sartori. Especulava-se na época que o valor, majorado, poderia bater nos R$ 20 milhões/ano para cada agremiação. Não houve aumento e até uma pequena redução.
A estatal gaúcha também patrocinou Juventude e Brasil de Pelotas em 2018. Os dois times disputaram a Série B. O Juventude levou R$ 1 milhão para estampar a logomarca do banco no Brasileiro e no Gauchão.
Em termos de bancos privados, o maior patrocinador do futebol brasileiro continua sendo a Crefisa, que na temporada passada injetou R$ 78 milhões no Palmeiras e vai repetir em 2019.