Hiltor Mombach

Beira-Rio e Arena: quem paga o prejuízo?

Para escrever esse texto ouvi vários dirigentes. Foram muitas as evasivas por um motivo óbvio e justificável. Ainda não se sabe o tamanho do prejuízo.

Seguem algumas informações misturadas com especulações sobre Inter e Grêmio diante da enchente que ainda atinge Beira-Rio e Arena. Para escrever esse texto ouvi vários dirigentes. Foram muitas as evasivas por um motivo óbvio e justificável. Ainda não se sabe o tamanho do prejuízo.
O Inter não sabe quando terá que desembolsar para deixar o estádio como era antes da tragédia. O gramado é o menor dos problemas. Os vestiários foram alagados. Muita coisa foi perdida. Pode acontecer do clube ter que buscar peças em outros estados. Não se sabe o tempo que levará para as peças chegarem. Quando a luz for religada a direção saberá o tamanho do prejuízo. Pode ser de R$ 20, R$ 30 milhões ou mais.
LIGA
O Inter recebeu R$ 218 milhões da Liga. Metade do valor (R$ 109 milhões) já entrou nos cofres. O restante foi divido em 25% em até um ano e outros 25% após 18 meses. Parte deste dinheiro foi comprometido em contratações.
O investimento foi 15 milhões de euros divididos em três anos: seis milhões de euros em 2024 (R$33 milhões), cinco milhões de euros (R$ 28 milhões) em 2025 e quatro milhões (R$ 22 milhões) em 2026.
Esta grana deu fôlego financeiro. Porém, os reforços colocaram a folha de pagamento num patamar só abaixo de Flamengo, Palmeiras e Galo. São mais de R$ 20 milhões por mês.
BRIO
A Holding Beira-Rio S/A ou apenas Brio S/A é a SPE (sociedade de propósito específico) criada em junho de 2012 para comandar a remodelação do Beira-Rio e administrá-lo pelos próximos 20 anos.
É formada por enquanto por dois sócios: a Holding Andrade Gutierrez e o banco BTG Pactual, ou seja, a SPE é de 50% de cada um desses sócios.
Em seu primeiro ano de operação, em 2014, foram R$ 17,190 milhões de prejuízo. Em 2015 acabou saltando para R$ 30,456 milhões. O balanço de 2016 apresentou um déficit de 89,1 milhões. Eram mais de R$ 136 milhões de prejuízo acumulado nestes três anos.
Alguns dos espaços que eram, não sei se ainda são, comandados pela Brio.
O estacionamento no edifício-garagem; 55 skyboxes; 66 camarotes; 5.000 cadeiras VIPS (setor da antiga social); parte das cadeiras de todo o estádio (cerca de 15%); o Street Mall; 66 bares no estádio, e toda a gastronomia do complexto Beira-Rio; o Naming Rigths (se houver), e a publicidade do estádio. o Sunset Beira-Rio, espaço de gastronomia e entretenimento na esplanada do edifício garagem; o anfiteatro.
Poderá haver um acordo, ou um debate jurídico, sobre que despesas com a enchente ficarão por conta do Inter e aquelas que são da Brio.
ARENA & OAS
A questão da Arena é diferente. O Grêmio não administra o estádio. A gestora é a Arena Porto Alegrense, braço da antiga OAS que virou Metha.
A Arena Porto Alegrense tem a responsabilidade de deixar o estádio em dia para receber jogos.
Aqui, a questão. A gestora já não vinha cuidando da manutenção do estádio como deveria. Ela fica com o dinheiro da bilheteria e com cerca de R$ 1,8 milhão por mês da migração dos sócios. Não se sabe ainda o tamanho do prejuízo causado pela enchente, mas deve ser alto.
Se a gestora deixar o estádio em dia para o Grêmio mandar seus jogos não haverá imbróglio. Caso contrário o clube poderá inclusive tentar rescindir o contrato. A informação é de que enquanto não puder jogar na sua casa o clube será o dono da arrecadação.

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