Hiltor Mombach

Biografia mantida

Biografia mantida

Enquanto Odone, sempre secundado por Antonini, visitava as obras da futura Arena usando capacete de segurança, o torcedor gremista era apanhado desprevenido para o tijolaço arremessado do Olímpico. Ali, um lívido Antônio Vicente, palidez adquirida com o epílogo da novela Ronaldinho, anunciava para uma plateia assombrada que o Grêmio mantinha a sua biografia de não vender craques. Jonas estava sendo praticamente doado aos espanhóis, repetindo Ronaldinho, doado aos franceses.

O patético do Grêmio de todas as épocas é a confiança. O Grêmio acredita. O Grêmio não lê Nelson Rodrigues: "O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até morrer, o seu nobilíssimo rugido... Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo". O Grêmio acreditou em Assis e em Thiago Gonçalves, irmão de Jonas. Ouço que daqui para frente só se comprará jogador filho único no Olímpico. Por acreditar, virou manchete garrafal só reservada aos grandes acontecimentos.

Não me surpreenderei se jogarem a culpa em Jonas: culpado pelos 23 gols que o transformaram no artilheiro do Brasileiro, garantido-lhe reputação internacional. A crendice dos dirigentes converteu o clube numa fábrica de "mercenários". Nos regimes contrários ao profissionalismo, a culpa é sempre dos outros.