Hiltor Mombach

Blogue divulgará capítulos do livro "Fábio André Koff-Memórias e Confidências".

Será lançado no dia 14 o livro "Fábio André Koff-Memórias e Confidências".
São depoimentos dados a Paulo Flávio Ledur e Paulo Silvestre Ledur.
A editora é a AGE.
De hoje até o lançamento este blogue divulga alguns capítulos.


Sobre Wanderley Luxemburgo: 


“No ano anterior ao dessa minha terceira gestão, havia mais de 40 mil pessoas num Gre-Nal do Estádio Olímpico e o Grêmio empatou em zero a zero com o Inter, que terminou a partida com dois jogadores a menos. Mesmo assim, o estádio todo aplaudiu e gritou o nome do Luxemburgo. Nunca vi algo igual. A partir daí teve início uma campanha na mídia para que eu prorrogasse o contrato dele com o Grêmio. O acordo dele com o clube terminara no final do ano, com a gestão anterior. Embora ele tenha conquistado muitos títulos e ostente um bom conceito como treinador, não era o meu preferido na época, mas, sim, o Renato. Havia uma Libertadores pela frente, e o Renato tinha essa identificação. O certo é que não pude vencer a pressão da torcida e da mídia e tive que renovar com o Luxemburgo. Depois os resultados de campo não foram bons, e os mesmos que o aplaudiam, começaram a vaiar, o que é muito natural no futebol. O herói de hoje é o vilão de amanhã. Então demiti o Luxemburgo e veio o Enderson Moreira, que foi escolhido pelo seu currículo como aluno e professor. Ele é muito preparado, muito voltado à escola moderna do futebol, muito estudioso. Era um bom parceiro, tinha bom relacionamento com o grupo. Nada se compara ao Felipão em matéria de motivador, de cherifão, de declarações fortes, mas de diálogo permanente. O Felipão se tornou um grande amigo. Vem aqui, janta na minha casa, telefona e, claro, torço para o sucesso dele. Depois daquela tragédia na Copa do Mundo, quando levou 7 a 1 da Alemanha, ele veio pra cá. Procurei dar um golpe de remotivação nele e na torcida. Mas logo depois fiquei doente, passei quatro meses no hospital e me afastei de vez do futebol. Embora no primeiro ano eu tenha participado mais do futebol, quando o Luxemburgo era o treinador, tenha participado das palestras antes dos jogos, não tive muita proximidade com o grupo. O elenco era muito diferente daqueles times vitoriosos. E como o Grêmio mudou de local de treinamento, eu não descia da minha sala para assistir aos treinos”.