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BRASILEIRO ENTRA COM CANIVETE NO SOCCER CITY

BRASILEIRO ENTRA COM CANIVETE NO SOCCER CITY

Por Luiz Monteiro

O que você imagina quando se dirige para o principal estádio que está sediando jogos de uma Copa do mundo? Em primeiro lugar, que a segurança será prioridade, certo? Pois no Soccer City, se você quiser entrar com um canivete no bolso, seja bem-vindo. Foi a cena que este repórter presenciou ao passar pelo primeiro portão da arena na noite deste domingo, para a partida entre Brasil e Costa do Marfim.

Dois rapazes de São Paulo, que estavam na fila logo atrás de mim, puxaram conversa para falar de amenidades. O jogo teve mais de 84 mil ingressos vendidos e por isso havia uma grande quantidade de torcedores ansiosos pela entrada. Levamos cerca de 10 minutos até chegarmos ao portão onde policiais fardados controlavam a passagem pelo Raio X. Uma torcedora que estava à minha frente levava uma bandeira do Brasil com um mastro de plástico de cerca de um metro de comprimento e, da espessura de um dedo indicador. Enquanto aguardava a passagem pelo detector, comentava que provavelmente ficaria sem o suporte, o que de fato aconteceu.

Assim que passei pelo Raio X, um dos rapazes comentavam que só momentos antes de cruzar o aparelho lembrara que carregava um canivete no bolso. Imaginou que ficaria sem o instrumento ao ser abordado pela policial. Ele o tirou logo do bolso e mostrou para a agente, como ato de boa intenção. Numa reação totalmente inesperada, a moça pegou o canivete, olhou e devolveu ao torcedor, que ficou pasmo com o ato. “Esperava tudo: ser preso, ficar sem o canivete ou levar uma bronca. Mas ela me entregou o canivete de volta”, repetia o brasileiro.

Enquanto isso, dentro do estádio, podia se ver centenas de bandeiras com o mastro sendo balançadas de um lado para o outro. O que se comenta por aqui, é que muitos policiais ficaram revoltados ao substituírem de última hora, os seguranças privados que deveriam trabalhar nesses postos. Um desentendimento ocorrido na véspera da abertura do mundial fez com que esses profissionais desistissem de trabalhar, por conta da insatisfação com os valores que foram oferecidos pelo Comitê Organizador. A partir deste episódio, fica a torcida para que nenhum incidente grave ocorra nas cadeiras dos estádios durante a Copa.