Hiltor Mombach

Breve avaliação sobre a arbitragem

"Por que sobram assopradores de apito e faltam árbitros no futebol?
As causas podem ser diversas e variadas para termos tantos erros nas arbitragens brasileiras.
Algumas são evidentes e outras nem tanto:
1)      Gestão da área de arbitragem
2)      Remuneração não meritória
3)      Árbitros amadores e não profissionais
4)      Deficiência técnica dos árbitros
5)      Falta de apoio tecnológico
6)      Falta de padrão definido e claro de arbitragem
7)      Atenuação das regras para clubes amigos
8)      Retaliação para clubes considerados rebeldes
Em um texto mais bem elaborado, haveria um número maior de causas enumeradas.
Mas para o exercício que pretendo, estas bastam. Sobre gestão, lá na faculdade, os professores já falavam que administrar, em resumo, seria planejar, executar, controlar e avaliar.
Hoje, na vida profissional, é fácil afirmar que um bom plano e uma boa execução só são bons se, e somente se, houver um forte controle e uma excelente avaliação dos processos.
Os árbitros precisam ser controlados e avaliados.
Isto precisa ser claro pra eles.
Não se pode premiar um árbitro que erre gravemente com novos jogos. Isto acaba nivelando árbitros ruins e bons.
Mas para isto precisa haver avaliação e controle.
A remuneração dos árbitros deveria ser dividida em principal e acessória.
A principal seria um fixo, enquanto a acessória seria e função de seu desempenho positivo, sendo que desempenho negativo anularia parte do desempenho positivo pessoal.
Isto já funciona em muitas empresas.
Os árbitros brasileiros são amadores, pois dividem-se entre trabalho formal e arbitragem.
Esta é um bico.
Precisamos de árbitros qualificados, bem treinados e plenamente habilitados para o bom desempenho da função.
A deficiência técnica é consequência da falta de dom para o exercício da arbitragem.
No entanto, quando não se tem dom, deve-se treinar e se preparar para suprir a falta de talento.
Gênios, temos em todas as atividades, da mecânica de automóvel ao futebol.
Mas a maioria são seres normais que podem se aprimorar. Vale para o árbitro de futebol também. A evolução tecnológica das transmissões nos permite ver com mais clareza os erros e acertos das arbitragens.
Por que não estender isso ao campo de futebol para ajudar a definir lances duvidosos?
Caberia aos técnicos pedir à arbitragem uma parada técnica para revisar um lance específico que tenha causado dúvida.
Poderia se limitar esta quantidade de pedidos por tempo de jogo.
Isto ajudaria na justiça dos resultados de campo, pois hoje grande parte dos resultados de campo possui vício de origem.
A falta de padrão nos critérios de arbitragens para definir lances importantes tem definido muitos jogos.
Esta falta de padrão é usada em favor de árbitros de baixa qualidade técnica, pois se não há padrão, o árbitro julga e apita o que quer e não o precisa ser julgado e apitado corretamente.
Você vê um árbitro expulsando um jogador por determinada falta, que outro não o faz da mesma forma.
Você vê uma falta sendo marcada em momento e em outro momento a mesma falta não sendo marcada.
Aqui, certamente daria um livro.
Não é este o objetivo deste texto.
A atenuação de regras futebolísticas para clubes amigos é flagrante e inequívoco.
Existe uma tendência natural e não natural da arbitragem amenizar o rigor da regra para clubes de comprovada influência política.
Isto é facilmente visto junto a patrocinadores na força mercadológica de manter determinados clubes em evidência.
Além, é claro, de outras questões políticas que, aqui, também daria um livro. No que diz respeito à retaliação aos clubes considerados rebeldes, é evidente e cristalino o espírito de corpo do quadro de árbitros.
Basta um clube, mesmo que de forma discreta, pedir para o árbitro X ou Y não apite mais os jogos deste clube que a partir daquele momento está decretado o fim de jogo para este clube.
Este problema principalmente, e os anteriores, só se resolveriam com a implementação de remuneração meritória, controle forte e avaliação sistemática e intensa dos árbitros. Hoje é fácil ser árbitro.
Erre ou acerte, você vai receber o seu pagamento, vai ter direito a errar novamente.
A falta de mérito nas conquistas é um dos piores males do ser humano.
O faz preguiçoso, indulgente e indolente com a coisa certa.
A falta de mérito nas conquistas atrasa a vida, o ser humano e o desenvolvimento, e por consequência, tudo o que deles depende. Aqui, estou resumindo este texto para as arbitragens, mas vale para tudo e em qualquer lugar ou circunstância.
Não falei aqui da melhoria que a ação de punir o jogador que reclama provocou no tempo de jogo.
Este é um tópico que daria um livro.
Mas cito ele como prova de que controle e punição sobre erro ajudam a dar qualidade ao fim desejado."


Arthur Quintana