Quando começa e quando termina um ciclo num clube de futebol? Tão subjetiva como a pergunta são as respostas.
Alguns ciclos perduram mesmo com a variação de jogadores, outros não. Uns duram mais do que outros.
A única verdade verdadeira neste meu atrevimento de demarcar etapas reside no fato de que um ciclo ruim não acaba com a montagem de um grande time, mas com a conquistas de títulos importantes.
Tudo que segue é discutível.
Obviamente muitos dos que me leem irão divergir.
É do jogo.
Quando termina o último ciclo de ouro do Grêmio, o dos anos 90? Lembro aqui algumas das conquistas: supercampeão do Brasil, bicampeão Invicto da Copa do Brasil , bicampeão do Brasileiro, tricampeão invicto da Copa do Brasil, bicampeão da Libertadores da América e campeão da Recopa Sul-Americana.
Termina em maio de 2001 com a falência da ISL, a primeira grande agência de marketing esportivo do mundo, criada por Horst Dassler. Quebrou por fraude e corrupção deixando um rombo bilionário.
A ISL parou de injetar dinheiro no Grêmio, seu parceiro.
O tetracampeão da Copa do Brasil, obtido em 2001, marcou o começo do estertor do clube gaúcho.
Em 2003 Flávio Obino assumiu como presidente no lugar de José Alberto Guerreiro.
Entre as heranças, pegou uma folha mensal superior a R$ 2 milhões e alguns jogadores recebendo mais de R$ 200 dólares por mês.
Sem grana e com o clube endividado, Obino reduziu a folha para cerca de R$ 500 mil.
Certa feita escrevi que “Obino ficou marcado como o presidente que levou o clube para a Segunda Divisão.
Há um Obino perpetuado pelo demérito e saqueado em seu mérito. Obino dormirá para sempre chumbado ao epíteto ‘o presidente que rebaixou o Grêmio. Essa verdade sepulta todo o restante de sua gestão e aqui o pecado maior: há quem transfira para outros merecimentos seus. A gestão Obino reveleu Cássio, Lucas, Carlos Eduardo, Léo, Felipe Mattione e Anderson.
Muitos viraram produto tipo exportação. Que se dê a Obino o que é de Obino…”
Vieram depois Paulo Odone e Duda Kroeff, apagadores de incêndio.
Odone retornou (2011-2012) e, no final desta gestão, terminou de pagar o funesto, mas salvador, condomínio de credores.
Fábio Koff entrou em 2013. Em julho de 2014 ele anunciou Felipão como novo técnico. Aqui está a origem do ciclo vivido hoje.
Em maio de 2015 Felipão foi demitido, mas deixou a base de um time para Roger, que estreou com um empate pelo Brasileiro contra o com o Goiás (fora), seguido por um 3 a 1 (casa) contra o Corinthians e de uma recaída contra o São Paulo (fora), com derrota e péssima atuação.
Em 14 de junho de 2015 o Grêmio fez 2 a 1 no Atlético-PR.
Este jogo é emblemática, escolhida como ponto de partida para aquilo que estamos assistindo.
O ano de 2015 terminaria sem título, mas com o time encaixado. Isto iria desaguar na taça da Copa do Brasil de 2016 com Renato no comando.
E provavelmente em mais conquistas.
