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Por CINTIA MARCHI Foto de PAULO NUNES
Indicado como embaixador de Porto Alegre na Copa do Mundo, o ex-jogador de futebol Alcindo Martha de Freitas, o Bugre, desconsola-se pela pouca contribuição que dará para divulgar a cidade aos turistas. Vivendo no bairro Campo Novo, zona Sul da capital gaúcha, ele prefere ficar recolhido no sítio, sem a balbúrdia do Centro, 20 quilômetros distante dali. As condições de saúde lhe tiraram, definitivamente, de campo. O diabetes provocou a perda da visão de um olho e hoje fica mais complicado ver com clareza as cores do Grêmio, clube que lhe acolheu na década de 1960. Alcindo também sobrevive com um rim de doação e, ultimamente, não tem arriscado jogar futebol “nem de leve”. Mesmo sem poder estar tão presente, ele agradece Porto Alegre por ter abrigado grande parte da sua história. Nascido em Sapucaia do Sul, o primeiro contato de Alcindo com a Capital foi ainda menino. “Vinha com meu pai que trabalhava como ferreiro. Ele ajudou a construir a Penitenciária Feminina Madre Pelletier. Fiquei maravilhado com a cidade. Nunca vi tanta gente indo e vindo como na Rua da Praia (Rua dos Andradas)”. Depois de uma breve passagem pelas categorias de base do Internacional, o centroavante ingressou no Grêmio nos anos 60 e veio morar na Capital que, no próximo dia 26, completa 242 anos. Foram poucos os anos em que se afastou da cidade, na década de 1970, em nome do futebol. “Amo Porto Alegre. Dei muitas alegrias aos gremistas. Mais ganhei do que perdi”. Alcindo Bugre fez 636 gols na carreira, 264 pelo Grêmio, sua eterna paixão.