CAMPANHA TT, TIRA TEIXEIRA
Retirado da revista Carta Capital.
Ex-Presidente da Bovespa, Rocha Azevedo lança o coro: “Tira Teixeira”
Pela primeira vez em mais de 20 anos, Teixeira enfrentará um movimento de resistência encampado pela sociedade civil. O articulador da campanha TT, de Tira Teixeira, é Eduardo Rocha Azevedo, ex-Presidente da Bovespa e um dos fundadores da BM&F. “O pessoal que dirige a CBF não tem credibilidade para fazer uma Copa do Mundo”, avalia.
Por que promover uma campanha pela renovação da CBF ?
Porque quem está no poder é incompetente.
Basta avaliar o desempenho da Seleção Brasileira, que foi a Copa sem comando.
Todos os erros que foram cometidos no passado se repetiram e qual é a desculpa ?
“Ah, 2014 será nossa Copa”.
Como ?
O pessoal que hoje dirige a CBF não tem credibilidade para fazer uma Copa do Mundo.
A critica se concentra exclusivamente no desempenho da Seleção ?
Não, é pela falta de transparência, pela ausência de democracia.
O Brasil só conseguiu crescer depois que nós trouxemos o sistema democrático, com alternância de poder.
A CBF não cresceu.
Ela cresceu em arrecadação, na cota de patrocínio, mas mantém uma dinastia arcaica.
O feudo vem de João Havelange, que passa o poder ao genro.
E lá se vão 50 anos com o mesmo pessoal.
Ninguém mexe com eles.
Perdeu a Copa ?
No máximo a culpa é do Dunga, é do Jorginho, é do Felipe Mello.
Para mim, não.
A culpa é de quem manda, é do Ricardo Teixeira.
Daí o slogan do movimento…
Exato.
Se quisermos fazer uma Copa em que o povo brasileiro possa acreditar, tem de ser pelas mãos de outra pessoa.
Não pode ser esse senhor ai.
Por isso comecei a campanha TT, Tira Teixeira, e espero que as pessoas espalhem pelo Twitter, por blogs, do jeito que der.
Quem não consegue organizar uma seleção não pode organizar uma Copa.
Outro dia, vi no jornal uma coisa que até me assustou.
Como o Brasil é muito grande, a FIFA quer dividir o país em quatro centros para as Seleções não terem de viajar muito.
Teixeira vai dividir o Brasil em capitanias hereditárias, resta agora saber quem serão os donatários.
Outro absurdo é a composição do Comitê Organizador Local (COL), na qual apenas cinco pessoas apitam além do Teixeira: sua filha e quatro parceiros de longa data.
Qual é o risco que corremos ?
Desperdiçar dinheiro público.
Porque não é só estádio.
É estrada, transporte coletivo. Não temos a mesma capacidade de investimento de um país desenvolvido, mas querem que o Brasil construa Arenas monumentais.
Estive na África, e o choque cultural é uma barbaridade.
Eu achei que tinha melhorado com esta história da Copa, mas não.
Ou então era muito pior.
Que choque é esse que o senhor presenciou ?
Há uma diferença muito grande entre negros e brancos.
Mas a população pobre, independentemente da cor, não tem nada, é miséria absoluta.
Então a FIFA impõe que a cidade faça um novo estádio, gaste bilhões de dólares.
Veja o caso do Brasil.
Cuiabá é uma cidade sede, vai fazer um estádio a custo de R$ 400 milhões, num lugar que não tem nem futebol.
Quantos times do Mato Grosso estão jogando na Série A do Campeonato Brasileiro ?
Não tem.
Em vez de pegar este recurso e gastar com outra coisa, que vá suprir as necessidades da população, vão gastar num estádio.
Para que ?
Como a FIFA exige que o Brasil faça um mundial como se fossemos os Estados Unidos ?
Ela não está nem ai parta o interesse público.
E alguém tem que enfrentar esta situação.
