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O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, disse para a BBC que a Copa do Mundo será “a hora errada” de realizar protestos. “É um direito protestar. Para eles (os manifestantes), é o melhor momento. Para mim, é a hora errada”. Leia-se: para a Fifa é a hora errada. Fifa que deve embolsar R$ 5 bilhões. Não há hora mais oportuna para chamar a atenção do que os megaeventos, estes que reúnem em um mesmo país jornalistas do mundo inteiro. Até as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia usaram este expediente na Copa América de 2001. Eu estava na Colômbia, como estava em Atlanta, em 1996, quando da explosão de uma bomba no Centennial Park durante a Olimpíada, que resultou na morte de duas pessoas e ferimentos em outras 111. Estava hospitalizado por uma infecção causada por bactéria no Georgia Baptist, para onde foram levados muitos dos feridos. Também estava na África do Sul quando poucas semanas antes da Copa os servidores públicos entraram em greve, o mesmo ocorrendo com os trabalhadores dos transportes e os da estiva. No ano passado, me encontrava em Londres para a cobertura da Olimpíada. Foi lá que ativistas chamaram a atenção para a contradição entre isenção fiscal a multinacionais e a política de austeridade do governo. A ONG 38 Degrees fez um abaixo-assinado virtual pedindo a todas as empresas patrocinadoras que pagassem impostos. No Brasil, não será diferente. Não há motivos para ser diferente. Pelo contrário: sobram motivos para protestar. E, cá entre nós, não será este senhor chamado Jérôme Valcke que irá ditar regras, dizer o que o povo brasileiro deve ou não fazer. Caradurismo tem limite.