Hiltor Mombach

Carta aberta aos integrantes do Movimento Inter Grande


GRANDE INTER


Carta aberta aos integrantes do Movimento Inter Grande




Há dezesseis anos, reunimos ideias e as transformamos em projetos para efetivar mudanças nos métodos tradicionais de gestão até então aplicados no nosso Sport Club Internacional.


O clamor da torcida abria espaço para a retomada do chamado ORGULHO COLORADO.


A conjunção do passado de glórias, com a perspectiva de um futuro ainda mais radiante, impunha um presente de reflexão, participação coletiva, credibilidade, ética e organização.


O caminho e as tarefas não se apresentaram fáceis.


Vencidos os primeiros obstáculos, inovamos, modernizamos a gestão, conquistamos os mais importantes títulos da nossa história e rompemos a barreira dos cem mil sócios.


Assim, o movimento político que auxiliamos a fundar foi o veículo adequado para a materialização dos projetos construídos coletivamente e que culminaram com um engrandecimento integral do Sport Club Internacional. Há muito não se via tanta alegria e orgulho dos Colorados nas ruas.


Passada mais de uma década na direção central do Clube, testemunhamos uma profunda alteração dos rumos inicialmente traçados. Vivenciamos uma sequência de reversões de expectativas, com causas profundas e que não provocam nenhuma reação de alteração de conduta por parte de quem dita os rumos do clube.


Diante de fatos significativos, expressões de degeneração de nossos propósitos e crenças iniciais, adota-se agora uma postura desagregadora, onde a ausência de companheirismo e solidariedade são a tônica.


Se, de um lado crescemos numericamente - estimulando o adesismo decorrente da cooptação pragmática - de outro perdemos em qualidade e protagonismo. Interesses episódicos, meramente eleitorais ou contabéis, não podem ensejar composições de conveniência, sob pena de alcançarmos uma possível e indesejável ingovernabilidade no clube.


Perdemos espaço, perdemos protagonismo, perdemos importância.


Não é difícil imaginar o que está logo adiante. Uma vez mais a unidade pela unidade será brandida, pelo simples fato de se evitar o confronto das ideias e a cobrança de responsabilidade da gestão.


Seguimos em direção a um destino no qual a preponderância dos interesses de ocasião, justifica uma aparente harmonização de projetos conflitantes, sendo que, de imediato, o maior onerado será o Movimento Inter Grande. A aprovação de contas e as responsabilidades próprias da gestão, entre outros fatores, não podem ser o amálgama de um aliancismo sem princípios. Já temos forte indicativo disso, através das últimas declarações do próprio presidente Giovanni Luigi.


O momento é de refletir, mas especialmente de agir. Não creio que o papel historicamente alcançado pelo Inter Grande se reduza a coadjuvante diante de interesses pessoais de toda ordem.


Fica o tema para reflexão de todos aqueles que fazem ou fizeram parte do Movimento Inter Grande: fundadores, apoiadores, dissidentes e atuais signatários da gestão.


Roberto Teixeira Siegmann


Fundador do Movimento Inter Grande